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Professores da Coppe propõem alternativa para ordenamento urbano das Vargens

12/07/2018

Uma pesquisa em andamento da Coppe/UFRJ apresenta novas soluções para a ocupação urbana na região das Vargens, região cujo planejamento enfrenta um impasse e é motivo de conflitos frequentes entre moradores e prefeitura. O estudo propõe uma nova forma de urbanização para parte dos loteamentos incluídos no Programa de Estruturação Urbana (PEU) das Vargens e na Operação Urbana Consorciada (OUC), dois projetos municipais reunidos num projeto de lei que divide a população local e, segundo a prefeitura, deverá ser arquivado assim que a nova Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) estiver valendo.
A base do estudo tem como foco intervenções em loteamentos situados a oeste da Estrada Vereador Alceu de Carvalho, em Vargem Grande, o que pode futuramente servir de exemplo para sua implantação em outras áreas. A pesquisa propõe modificar as cotas dos terrenos alagadiços, fazendo com que fiquem entre um e dois metros mais profundos que os terrenos a serem utilizados para a construção de residências. Neles haveria parques naturais, para reserva de água da chuva, e áreas de lazer próximas.
Idealizador do projeto, Marcelo Miguez, professor do Departamento de Engenharia Civil da Coppe/UFRJ, diz que o projeto ainda geraria benefícios ecológicos maiores, uma vez que os futuros reservatórios estariam alinhados com o terreno natural da região, embora distantes o suficiente das áreas residenciais para evitar alagamentos.
— Seriam criados nessa área parques longitudinais em todos os canais de acesso ao Rio Morto, além do canal principal, para que funcionassem como faixas verdes de conexão com outras áreas ambientais, como os parques da Pedra Branca e Chico Mendes — explica Miguez.
O estudo começou em 2014, quando os pesquisadores se debruçaram sobre a falta de planejamento para os bairros de Vargem Grande, Vargem Pequena e Recreio. O boom imobiliário e a infraestrutura implantada para a Olímpiada, segundo Miguez, já demonstravam que haveria uma ocupação crescente da área.
Ele explica que as bacias hidrográficas que cercam os bairros já sofrem com inundações. Como a área de baixada é cercada por montanhas, como as do Parque da Pedra Branca, e as praias da Macumba e de Grumari sofrem com a altas das marés, o pesquisador prevê que a continuidade acelerada de urbanização na região, sem planejamento, demandará intervenções de alto custo futuramente, além de causar problemas ambientais.
— Um caso emblemático aconteceu no Museu Casa do Pontal. Ele começou a ser ladeado por empreendimentos imobiliários construídos em uma cota de terreno mais alta, já devido à possibilidade de cheias, o que o transformou num reservatório de escoamento: toda vez que chovia, recebia a água dos vizinhos — exemplifica Miguez, referindo-se ao centro cultural que, após uma série de inundações, está se transferindo do Recreio para a Barra.
A situação que ele descreve é parecida com a enfrentada corriqueiramente por Antônio Aurélio da Silva, morador de Vargem Grande há 30 anos. Ele vive às margens do Rio Morto, na comunidade Beira-Rio, uma ocupação irregular que, em suas próprias palavras, não para de crescer.

Saiba mais em O Globo

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