
12/07/2018
Símbolos do lazer e do convívio público, as praças da região se revelam, infelizmente, retrato do abandono e do descaso das autoridades, além de serem vítimas da falta de civilidade da população. Basta uma simples ronda pelos principais logradouros da Grande Tijuca para se constatar que a maioria coleciona problemas. Entre eles, a falta de manutenção e, por vezes, destruição dos brinquedos dos parques e dos aparelhos da Academia da Terceira Idade; a inoperância de fontes e chafarizes, desligados há mais de um ano; o descaso com as quadras poliesportivas, que precisam de cuidados e manutenção; a ação de flanelinhas e usuários de drogas no seu entorno; e a realização de eventos irregulares e fora do horário permitido em algumas delas.
Os escombros do histórico caramanchão da Praça Nobel, no Grajaú, largados no chão há mais de um mês, são um dos grandes exemplos deste descaso. De concreto revestido com pequenos blocos de granito, o caramanchão foi inaugurado em 1941, junto com a praça, tendo sido idealizado por Azevedo Neto (1908-1962), urbanista famoso por realizar obras de paisagismo na cidade entre os anos de 1930 e 1950, tais como os da Praça Saens Peña, os recantos do Alto da Boa Vista, o Jardim de Alah e a Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.
Integrantes do movimento “Clínica sim, praça sim”, formado em 2015 visando a impedir a destruição da Praça Nobel para a construção da Clínica da Família (na ocasião o grupo conseguiu que a clínica fosse construída em terreno próximo, na Rua Botucatu), afirmam que uma parte do caramanchão desabou no final de maio. Em 2015 houve um aviso de que a construção estava deteriorada.
— Sou engenheiro e havia percebido que o caramanchão estava sob ameaça. Ligamos para a prefeitura e ela simplesmente nada fez. Eis que agora ele veio a desabar. Sorte que foi de noite e ninguém se machucou. Felizmente, nem os moradores de rua, que costumam passar a noite, estavam ali — diz o engenheiro civil aposentado Fernando Branquinho.
O economista José Augusto Cerqueira afirma que o grupo ligou para a Defesa Civil pedindo que verificassem se o resto do caramanchão estava comprometido.
— Eles vieram e simplesmente demoliram. O certo era terem feito uma obra de recuperação. Esse caramanchão é o símbolo da Praça Nobel. E o pior é que eles nem recolheram os destroços durante esse tempo. Há vigas e ferragens expostas colocando em perigo a população — reclama Cerqueira.
O grupo também se queixa de que o muro de pedra ao lado do antigo caramanchão está comprometido.
— Era para a Defesa Civil ter colocado uma faixa isolando o local. O muro fica ao lado do parquinho. Há risco de acidentes graves — ressalta o economista.
Na Praça Nobel, a Academia da Terceira Idade tem aparelhos com defeitos, lâmpadas queimadas e quadras com grades destruídas.
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