
12/07/2018
Pesquisadores brasileiros usaram técnicas de melhoramento genético para desenvolver uma nova variedade de tomate que contém até três mais vezes licopeno do que a quantidade considerada normal. O tomate já tem uma concentração naturalmente elevada do licopeno, que lhe dá a cor vermelha como sua principal característica e a proteção contra raios solares. Ao ser ingerido pelo ser humano, o nutriente funciona como antioxidante e, segundo vários estudos, está associado à prevenção do câncer, principalmente o da próstata. O novo tomate do tipo cereja ou grape (alusão à uva, em inglês, devido ao tamanho diminuto), promete fazer ainda mais bem à saúde não só pela maior concentração de licopeno, mas também por demandar bem menos agrotóxicos na produção porque é mais resistente a pragas comuns. O tomate é atualmente uma das lavouras que mais demandam pesticidas.
O novo tomate foi desenvolvido pela Embrapa Hortaliças, um dos braços de pesquisa da estatal ligada ao Ministério da Agricultura. O trabalho, inteiramente nacional, promete reduzir o custo do cultivo do tomate cereja, hoje baseado em sementes importadas. Com o desenvolvimento da estatal, os produtores brasileiros não precisarão pagar royalties, o que promete fazer o custo de produção ser até 30% mais barato.
A pesquisa é resultado de anos de estudo de características genéticas naturais dos tomateiros por parte de uma equipe da Embrapa Hortaliças, em Brasília. Os cientistas da estatal de pesquisa e desenvolvimento para o campo, em parceria com a empresa Agrocinco, empregaram técnicas de cruzamento convencionais para desenvolver o novo tomatinho cereja, batizado como BRS Zamir, em homenagem ao pesquisador israelense Dani Zao mir, conhecido estudioso de tomateiros.
Cada grama do fruto tem até 144 microgramas de licopeno contra as concentrações de 40 a 90 microgramas das demais variedades de tomate-cereja do mercado. Segundo os pesquisadores, ele é ainda três vezes mais produtivo que as variedades comuns, além de um sabor bem mais doce, devido ao equilíbrio entre açúcares e ácidos.
— Não engorda e é doce como uma uva — assegura o agrônomo Leonardo Boiteux, pesquisador que lidera o programa de melhoramento genético da Embrapa Hortaliças e integrante da equipe que criou o novo tomate.
Segundo Boiteux, de cinco a oito tomatinhos por dia satisfazem a necessidade diária de licopeno (entre 10 a 60 miligramas) recomendada para a prevenção de doenças como o câncer. E isso se o tomate for consumido cru. Cozido, o licopeno do fruto se torna ainda mais facilmente assimilável pelo organismo. Isso porque o licopeno é o que se chama de termoestável, resiste bem ao calor. O tomate-seco, por exemplo, permanece riquíssimo desse nutriente.
— O cheiro agradável do molho do tomate que nós sentimos é do licopeno volatizado — explica Boiteux.
Leia a matéria em O Globo
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