
12/07/2018
Virologista da UFRJ e assessora do Comitê de Organização Mundial de Saúde (OMS) para a pesquisa com o vírus da varíola, Clarissa Damaso considera a volta do sarampo ao Brasil inadmissível. Até o momento, 472 casos foram confirmados no país. A doença estava erradicada há dois anos. Segundo a especialista, governo e sociedade seriam responsáveis pelo problema.
O que representa a volta do sarampo ao Brasil, considerado erradicado aqui pela OMS em 2016?
Um retrocesso enorme para o país. Andamos para trás, voltamos aos anos 80. É como mergulhar na idade das trevas, jogar fora anos de trabalho. É inadmissível que tenhamos chegado a esse ponto. Só ficamos sabendo porque a doença voltou. E só voltou porque o vírus encontrou gente não vacinada em seu caminho.
O que teria acontecido se o vírus tivesse entrado com os imigrantes venezuelanos, mas as pessoas estivessem vacinadas no Brasil?
Com cobertura alta, haveria casos isolados de pessoas que não desenvolvem imunidade adequada. Não passaria disso, o vírus não circularia.
Falava-se que pólio e sarampo eram doenças do passado. Por que voltaram?
Porque não existe doença do passado. Existe doença controlada com vacina. Vivemos cercados por micro-organismos causadores de doenças à espera de oportunidade. A baixa cobertura vacinal é essa chance. Se deixa de existir o que a ciência chama de imunidade de rebanho, a doença volta. Vacinar é preciso.
O que é imunidade de rebanho?
É o nome que a ciência dá à vacinação da maior parte da população, a faixa de 95%. Isso faz com que o vírus não tenha condições de circular e protege aqueles que não podem se vacinar, como os muito idosos, pessoas com problemas no sistema imunológico ou outras doenças específicas.
A entrevista completa pode ser lida em O Globo
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