
05/07/2018
O rinoceronte-branco do norte está funcionalmente extinto. Com a morte de Sudan, o último macho da espécie, em março deste ano, restam apenas duas fêmeas vivas, Najin e Fatu. Mas dos laboratórios do Instituto Leibniz de Pesquisas em Zoológicos e Vida Selvagem, em Berlim, surge uma esperança para a recuperação do animal condenado a desaparecer do planeta. Usando técnicas de reprodução in vitro, os pesquisadores foram capazes de criar, pela primeira vez, embriões híbridos com óvulos de rinocerontes-brancos do sul e esperma de rinocerontes-brancos do norte.
— Esses são os primeiros embriões de rinocerontes fertilizados in vitro — celebrou Thomas Hildebrandt, líder do experimento descrito na edição desta semana da revista “Nature Communications”.
Os cientistas conseguiram adaptar uma técnica de reprodução artificial usada em cavalos para criar os embriões híbridos de rinoceronte, mas a tarefa não foi fácil. O primeiro desafio foi desenvolver um equipamento, com cerca de dois metros de comprimento, para coletar os ovócitos — células que darão origem aos óvulos — com segurança.
Os ovócitos foram coletados de fêmeas de rinocerontes-brancos do sul espalhadas por zoológicos europeus e transferidos para a clínica Avantea, em Cremona, na Itália, especializada na reprodução assistida de animais de grande porte.
— No nosso laboratório nós desenvolvemos procedimentos para maturar os ovócitos (transformá-los em óvulos), fertilizá-los com injeção de esperma e mantê-los em cultura — explicou Cesare Galli, pesquisador na Avantea. — Pela primeira vez nós conseguimos blastocistos, embriões em seus primeiros estágios, desenvolvidos in vitro, da mesma forma que fazemos rotineiramente com gado e cavalos.
Os embriões foram congelados para preservação. O próximo passo é implantá-los em fêmeas de rinocerontes-brancos do sul — que ainda são abundantes, com população estimada em 20 mil indivíduos —, para testar se a técnica resultará no nascimento de um filhote de rinoceronte.
Jan Stejskal, diretor de projetos internacionais do zoológico Dvůr Králové, na República Tcheca, explica que o sêmen foi coletado de machos de rinocerontes-brancos do norte e são mantidos congelados. As duas últimas fêmeas de rinocerontes-brancos do norte nasceram em Dvůr Králové e foram transferidas para o parque Ol Pejeta, no Quênia, para a última tentativa de reprodução natural da espécie.
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