
03/07/2018
Um estudo inédito publicado na "PLos Neglected Tropical Diseases" mostrou que 62% dos tatus que vivem na Amazônia brasileira (especificamente no oeste do Pará) testaram positivos para a Mycobacterium leprae -- bactéria causadora da hanseníase, ou da lepra, como a doença é conhecida.
Não é de hoje que a ciência sabe que tatus podem atuar como um reservatório natural para a bactéria causadora da doença. Trata-se da 1ª vez, contudo, que a relação é demonstrada com essa precisão no Brasil, dizem os autores.
No sul dos Estados Unidos, a associação já era observada -- por isso, pesquisadores acreditam que a relação de transmissão entre humanos-tatus, principalmente via consumo da carne, seja um fenômeno antigo no Brasil.
A hipótese da pesquisa também é corroborada pelas maiores taxas de hanseníase detectadas em áreas rurais do país (com Centro-Oeste e Norte apresentando os maiores índices; veja abaixo).
Segundo os autores, o estudo mostra, pela primeira vez, que esses animais podem atuar como um reservatório para bactéria por aqui. O trabalho teve como primeiros autores Juliana Portela, Universidade Federal do Oeste do Pará, e Moises Silva, da Universidade Federal do Pará.
A pesquisa também teve a participação de cientistas dos Estados Unidos, como John Spencer, da Universidade do Estado do Colorado (EUA).
A hanseníase, ou a lepra, é uma doença contagiosa. Causada por bactéria, a condição danifica os nervos levando a sérias incapacidades físicas (pode haver dificuldades para andar ou para segurar objetos).
Manchas avermelhadas, esbranquiçadas e amarronzadas são marcas da doença. Indivíduos sentem febre, dor e "fisgadas" nos músculos.
Leia a matéria no G1
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