
03/07/2018
O anúncio do governo japonês de que irá apresentar um pedido para reativar parcialmente a pesca comercial de baleias colocou o país em rota de colisão diplomática com países contrários à prática, como a Austrália e a Nova Zelândia. Em entrevista à AFP, Hideki Moronuki, responsável pela área baleeira da agência japonesa de pesca, afirmou que o país apresentará proposta na próxima reunião da Comissão Baleeira Internacional (IWC, na sigla em inglês), marcada para setembro em Florianópolis, no Brasil, para alterar as regras do corpo decisório, visando facilitar a retomada da exploração comercial das baleias.
Segundo Moronuki, o Japão vai “propor o ajuste de cotas para espécies cujos estoques estão reconhecidamente saudáveis pelo comitê científico da IWC”. A proposta japonesa não irá especificar as espécies, nem quantos animais pretende caçar, mas defende que algumas espécies já se recuperaram da pesca desenfreada anterior à moratória comercial, aplicada em 1986.
Apesar da moratória, a indústria baleeira japonesa continuou operando, sob a alegação de “fins científicos”. Em 2014, a Corte Internacional de Justiça suspendeu as atividades baleeiras nipônicas ao acatar denúncia australiana de que o país usava a ciência como desculpa para a exploração comercial. Após revisão de seus planos, o Japão retomou as atividades em 2016, cortando em quase dois terços o número de cetáceos capturados anualmente, para 333 baleias minke.
Ao longo dos anos, a diplomacia japonesa tentou, sem sucesso, derrubar a moratória. Para o encontro de Florianópolis, a delegação nipônica irá apresentar uma outra proposta, que visa alterar o processo decisório da comissão. O objetivo é reduzir os votos necessários para a aprovação de medidas, de três quartos para maioria simples dos votos.
— A IWC não está funcionando — apontou Moronuki. — Nós devemos nos unir para a construção de um sistema mais cooperativo.
Em comunicado, o departamento de energia e meio ambiente da Austrália informou que irá bloquear qualquer tentativa japonesa de retomar a pesca comercial da baleia.
“A Austrália irá se opor fortemente a qualquer proposta para derrubar a moratória ou alterar as regras de ajuste do limite de capturas”, informou o governo australiano, à agência Fairfax Media.
Historicamente, o Japão recebe o apoio da Noruega e da Islândia, países que se opõem à moratória, além de outros países da África e da América Latina que recebem apoio internacional do governo japonês. Do outro lado, Austrália e Nova Zelândia fazem forte oposição à indústria baleeira, além da maioria dos países da Europa e das Américas.
Fonte: O Globo
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