
28/06/2018
"Eu me assustei quando vi lixo pelo chão. A limpeza e a conservação de jardins sempre foram ótimas, mas de uns dias para cá tem deixado a desejar. Nunca tivemos esses problemas aqui", observa o consultor de viagem Júlio Porto, de 43 anos, que trabalha próximo ao Armazém 4, na Zona Portuária. A percepção de Júlio tem fundamento. Contratada para prestar serviços básicos de limpeza e conservação, a concessionária Porto Novo deixou a operação nesta segunda-feira, data em que a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) iniciou operação de contingência na área com as secretarias e órgãos municipais. A mudança acontece porque a Caixa Econômica Federal declarou iliquidez — quando uma empresa ou um fundo enfrenta dificuldade de transformar ativos (bens) em dinheiro — do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, responsável pelos pagamentos da operação urbana consorciada.
Após a mudança na operação, a área de cinco milhões de metros quadrados que vai do início do Boulevard Olímpico, na altura da Rua Visconde de Inhaúma, até um trecho do Caju, sofre com problemas de limpeza e conservação. Nem mesmo o Boulevard Olímpico, revitalizado para a Olimpíada de 2016 e que se tornou ponto turístico e de lazer de cariocas, escapa da nova realidade. No local, há diversas lixeiras lotadas. Existe sujeira pelo chão e nos bancos, e os jardins também já começam a dar sinal de abandono, com problemas de conservação. Próximo ao Museu do Amanhã, ponto em que a limpeza ainda é mais eficiente, cones destoam da paisagem para indicar ao pedestre que grades de três bueiros estão quebradas.
— Está havendo um pouco de descaso desde que a prefeitura assumiu a gestão da região. E a tendência é piorar. Daqui a pouco, haverá rato e mosquito. E o pior é que a região é turística, chegada de muita gente. Já basta a cidade ter de conviver com tanta violência — lamenta o aposentado Maurício Pedro, de 70 anos.
Próximo à Igreja da Candelária, a falta de cuidado com a pira olímpica não lembra nem de perto a competição esportiva que a cidade sediou há dois anos. O monumento já não fazia parte da área gerida pela concessionária Porto Novo. Sem água, o local está sujo e com sacos plástico. E o jardim no entorno dá reflexos de desgaste, com parte da grama morta. Um funcionário da Comlurb que limpava próximo ao local afirmou à reportagem que os garis da companhia municipal de limpeza urbana ainda não estão limpando esse ponto.
Quem passa pela região desaprova a atual situação:
— Deu uma caída na conservação. Era melhor, mais bonito, mais cuidado — diz Daniela Gonçalves, de 26 anos, marítima.
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