
28/06/2018
Área de 36 mil metros quadrados tombada pela prefeitura em 1990, o Campo de São Bento é o principal jardim público urbano de Niterói. Repleto de canteiros e árvores frondosas, tem lago artificial, brinquedos para crianças, um pequeno parque de diversões e, nos fins de semana, uma tradicional feira de artesanato. Mais recentemente, aos sábados vem sendo realizada uma feira orgâica. A falta de manutenção no local, contudo, gera queixas de frequentadores, que reclamam da sujeira, agravada pela promoção de grandes eventos, da acessibilidade precária e do número reduzido de funcionários.
A Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) informa que concluirá, este mês, projeto que prevê a revitalização total do Campo de São Bento, incluindo paisagismo, reforma dos banheiros e limpeza dos lagos. Garante ainda que mantém equipe de limpeza e manutenção no parque.
O urbanista niteroiense Augusto César Alves, ex-membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, elenca deficiências na conservação da área de lazer:
— Além da iluminação inadequada e da falta de cuidados com o chafariz, existem espaços áridos, com necessidade de replantio. O parque tem condições de realizar grandes atividades, mas falta planejamento para evitar danos à vegetação, como vem ocorrendo ultimamente. Se a prefeitura libera o espaço antes do evento, deve cuidar da sua manutenção depois.
Numa caminhada atenta pelo parque, facilmente se identifica lixo acumulado no chão, no lago e até no caule das árvores, muitas malcuidadas e com folhas mortas. Falta grama em vários pontos do parque. E em alguns canteiros, como o que beira a calçada junto ao viveiro dos gansos, o mato escapa às demarcações.
Célia Fortes, administradora do grupo Salvem as Árvores de Niterói, afirma que fauna e flora vêm sendo afetadas pela realização dos grandes eventos gastronômicos que ocorrem com frequência no parque.
— Nos megaeventos, são usadas máquinas pesadas, que passam por cima de áreas gramadas, afetando a flora do parque. Também há impacto para a fauna, que, muitas vezes, precisa conviver com som alto até tarde — diz a psicóloga, que não condena os eventos mais tradicionais no espaço. — As feirinhas não são barulhentas e ocorrem no asfalto, de dia, sem trazer impacto negativo à vegetação.
A ativista denuncia o descarte de óleo de cozinha nos canteiros, feito, segundo ela, por comerciantes de alguns food trucks. A informação foi desmentida por Marcelo Pinto, organizador do Rota Gourmet, evento gastronômico que tem edição neste fim de semana.
— Trabalhamos com equipe própria de limpeza e segurança, além de realizarmos coleta seletiva em todas as edições. Entregamos o parque sempre melhor do que encontramos. Só utilizamos o espaço com a autorização da prefeitura, além de pagarmos todos os impostos exigidos — destaca.
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