
07/06/2018
O nadador francês Benoît Lecomte, de 51 anos, deu início nesta terça-feira à maior viagem de sua vida para chamar a atenção do mundo para a poluição dos oceanos. Durante seis a oito meses, ele irá cruzar, nadando, o Oceano Pacífico: do Japão, onde a jornada teve início, à São Francisco, nos EUA. No caminho, Lecomte irá cruzar a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico”, uma área com três vezes o tamanho da França continental que concentra quase 80 mil toneladas de detritos plásticos.
Serão cerca de 9 mil quilômetros, enfrentando tempestades, tubarões, águas-vivas e plástico. Muito plástico. Segundo estudo recente divulgado pela pela ONG The Ocean Cleanup Foundation, a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico” possui cerca de 1,8 trilhão de detritos, de restos de grandes redes de pesca ao chamado microplástico, partículas com menos de 5 milímetros de diâmetro.
A aventura serve como realização pessoal para Lecomte, mas também para a coleta de dados científicos. Durante a viagem, a equipe de apoio irá coletar resíduos plásticos e capturar peixes e outros animais para analisar o impacto da contaminação nos seres vivos.
Lecomte iniciou a viagem por vota das 9h desta terça-feira, pelo horário local, saindo de uma praia de Choshi, no leste do Japão, usando um traje de neoprene e pés de pato. Sua filha, de 17 anos, e seu filho, de 11, o acompanharam pelos primeiros metros antes de regressarem à costa. Um veleiro com oito tripulantes acompanha a jornada, carregado com 2,8 toneladas de comida, além de uma lancha elétrica.
O plano é nadar oito horas por dia, percorrendo cerca de 50 quilômetros. O veleiro servirá de base para que Lecomte descanse e se alimente para recuperar as energias. A estimativa é que o exercício queime 8 mil calorias diárias. Não é a primeira vez que o nadador francês realizar uma grande travessia. Em 1998 ele cruzou o Oceano Atlântico.
Arquiteto por formação, Lecomte vive há mais de 25 anos nos EUA. Para a travessia, ele deixou sua atividade profissional de lado há sete anos para a preparação física e, principalmente, mental.
— A capacidade mental é muito mais importante que o aspecto físico — afirmou o nadador, em entrevista à AFP. — Tenho que procurar pensar sempre em algo positivo. Os problemas começam quando você já não encontra como ocupar a mente.
Fonte: O Globo
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