
05/06/2018
Primeiro, na Barra da Tijuca. Depois, em São Conrado. A presença de tubarões recentemente em praias cariocas assustou banhistas no feriadão e chegou até a paralisar a final feminina do Circuito Brasileiro de Surfe, que ocorreu no início de maio entre os Postos 5 e 6 da Praia da Barra. Apesar de causar estranhamento — e medo, claro — entre cariocas e turistas, a presença de tubarões no litoral brasileiro é comum, afirma o biólogo marinho Marcelo Szpilman. Autor do livro "Tubarões no Brasil", o especialista diz que cinco espécies vivem no litoral do Rio: Serra Garoupa (Carcharhinus limbatus), Galha-preta (Carecharhinus brevipinna), Cação-baleeiro (Carcharhinus brachyurus), Cação-galhudo (Carcharhinus plumbeus) e Fidalgo (Carcharhinus obscurus). E todas essas espécies se alimentam de peixe, acrescenta Szpilman, o que torna um ataque do animal raro: foram nove nos últimos cem anos no Estado do Rio.
— É absolutamente comum ter tubarões no nosso litoral. Os que vivem aqui, no entanto, são tubarões que não representam ameaça ao ser humano. Desde 1920 para cá, no estado do Rio, foram nove ataques não provocados, ou seja, casos em que a pessoa está surfando, mergulhando ou fazendo alguma atividade e por uma razão desconhecida é atacado. As estatísticas dizem que é praticamente impossível ser atacado no Rio de Janeiro — tranquililiza Marcelo Szpilman, diretor do AquaRio.
Em todo o mundo, segundo o especialista, são cerca de cem ataques por ano provocados por tubarões. Mas de acordo com o biólogo, cerca de 90% deles são por erro de identificação visual do animal. Embora não costume ser o suficiente para arrancar um membro, as mortes costumam acontecer em decorrências das complicações.
— Ele (o tubarão) precisa ser rápido para pegar o alimento e pode confundir, visualmente falando, um braço ou uma perna com um peixe e dá uma mordida investigatória, uma provadinha, solta e vai embora. Em água clara ele não te ataca, respeita e mantém a distância, a não ser que seja atacado. Normalmente essas mordidas não arrancam membros, pode até arrancar um pedaço da batata da perna. O índice de mortalidade desses 100 ataques no mundo gira em torno de 10%. É que depois da mordida há um grande sangramento, que provoca perda sanguínea, a pressão cai e a pessoa desmaia dentro d´água, então ela se afoga. As mortes são de afogamento secundário, provocado por uma outra causa — explica Szpilman.
Mas no Rio, tranquiliza o diretor-presidente do AquaRio, as mordidas são provocadas por um encontro casual na zona de arrebentação das ondas, onde esses animais costumam capturar peixes para o alimento. Os números comprovam os raros ataques dessas espécies. Szpilman diz que as estatísticas em todo o mundo contabilizam, desde 1580, apenas 11 casos do cação-baleeiro; 13 do tubarão-galha-preta, cinco do cação galhudo e 28 do serra-garoupa.
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