
05/06/2018
O brasão do Estado do Rio ostenta a silhueta da Serra dos Órgãos e uma águia. Se trocasse o simbolismo pela realidade, exibiria um pasto e uma flor rara. A despeito do pendor pelas montanhas, o Rio é dominado por pastagens, que ocupam 52% do território fluminense, como informa um atlas inédito sobre a flora do estado e as áreas vitais para conservação. Somados os 8% usados para a atividade agrícola, toda essa terra gera apenas 0,4% do PIB estadual.
Porém, o atlas mostra que o estado, no verde que restou, abriga 884 espécies de plantas endêmicas, isto é, que existem somente aqui. Número tão alto revela uma biodiversidade de quilate amazônico e de importância mundial, mas quase toda ela pouco conhecida. Tamanha concentração de extremos entre riqueza e desperdício de recursos naturais surpreende pesquisadores experientes. O Rio é um gigante quando se fala de flora. Para um país, 884 espécies exclusivas já seria um número elevado.
— Para um estado tão pequeno (o quarto menor do país), impressiona, e muito — diz Rafael Loyola, coordenador do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás e principal autor do atlas.
O tamanho das áreas com pastagens também:
— Elas se tornaram parte da paisagem, fruto de degradação histórica. Acho que, por isso, é difícil se dar conta da dimensão do desperdício. Essa terra devastada é insignificante para a economia, nociva para a natureza, uma zona morta — frisa Loyola.
Chamado de “Áreas prioritárias para a conservação da flora endêmica do Estado do Rio de Janeiro”, o atlas é resultado de pesquisas do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, da Universidade Federal de Goiás e da Secretaria estadual do Ambiente do Rio (SEA).
O objetivo do trabalho foi não apenas identificar as áreas vitais para a flora, mas para os serviços ambientais que ela presta, principalmente a manutenção dos recursos hídricos.
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