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Rio São Francisco é refúgio na seca

05/06/2018

Em meio à aridez do Noroeste da Bahia, o São Francisco, o único grande rio a atravessar o Semiárido e um dos símbolos da crise hídrica no Brasil, cria um paraíso de campos inundados e dunas de 50 metros de altura, oásis para homens e bichos. Às margens do Velho Chico estão algumas das maiores dunas fluviais do planeta e um dos sertões menos conhecidos do país. Parecem desertos, mas são usinas de vida.
A área total de dunas, alagadiços, brejões e veredas nunca teve o tamanho preciso determinado, mas se estende além dos 10.850 quilômetros quadrados da Área de Proteção Ambiental de Dunas e Veredas do Médio São Francisco, nos municípios baianos de Barra, Xique-Xique, Casa Nova e Pilão Arcado. Um ermo mais de sete vezes maior, por exemplo, que o município de São Paulo. Cientistas chamam as dunas de fósseis, relíquias de uma época em que o clima era ainda mais seco que o atual. Hoje, elas protegem um aquífero.
Para o sertanejo, as dunas e os brejões são sobrevivência. Seu futuro, assim como o de todo o São Francisco, o maior rio a nascer e desaguar totalmente em território brasileiro, estão em debate hoje, Dia Nacional de Defesa do Velho Chico. O rio perdeu 98% de suas matas protetoras de margens, sofre com a destruição de nascentes e com a poluição e teve uma redução de 50% do volume de água de sua bacia em 30 anos. Por isso, as dunas são também um dos poucos lugares onde o Velho Chico ainda respira.
O melhor caminho até os campos de dunas e os brejões continua a ser o próprio São Francisco, “a grande estrada histórica do sertão”, nas palavras Dom Luiz Flavio Cappio, bispo de Barra e um dos maiores defensores do rio e de sua gente. Por terra, só existe uma única estrada de maior porte, não asfaltada nessa parte, a BA-61. Ela começa em Barra, atravessa comunidades rurais e é interrompida quando, na estação chuvosa, riachos temporários voltam a correr.
Nas imediações do distrito de Ibiraba, um dos cenários de “Abril despedaçado” (2002), o premiado filme de Walter Salles com Rodrigo Santoro, o rio que servia de estrada se encheu em março e obrigou crianças e jovens a ir para a escola por dentro d’água. Os menores são levados nas costas ou no colo dos mais velhos.

Saiba mais em O Globo

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