
05/06/2018
A primeira morte de um mico-leão-dourado por febre amarela foi confirmada esta semana. O animal morreu em 17 de maio e o caso preocupa porque a espécie é um dos símbolos mundiais da fauna ameaçada de extinção e só existe no estado do Rio de Janeiro. A febre amarela causou em 2017 e este ano o maior massacre de primatas da história da Mata Atlântica e um dos principais temores era de que afetasse espécies em extinção, como os muriquis e os micos-leões. Toda a população humana da área de ocorrência do mico-leão está vacinada.
— A campanha de preservação do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) é a mais bem-sucedida do país e um exemplo para o mundo. O temor é que a febre amarela afete esses animais. Se isso ocorrer, será uma tragédia — explica o primatólogo e diretor do Instituto da Mata Atlântica Sergio Lucena.
Um dos pioneiros na preservação dos muriquis e envolvido desde o início na investigação da epidemia em macacos em 2017, em Minas Gerais e no Espírito Santo, Lucena lembra que já morreram em massa bugios (Alouatta guariba) e sauás (Callicebus personatus). Em menor escala, micos do gênero Callithrix e macacos-pregos (Supajus nigritus).
O estado do Rio de Janeiro foi afetado principalmente este ano. Segundo nota oficial, “recentemente se registrou 1.152 epizootias suspeitas no estado, das quais 40 foram confirmadas por laboratório”. Há 223 casos humanos confirmados, dos quais 73 levaram à morte — uma taxa de letalidade de 37,2%. A nota conjunta do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde do estado e da Associação Mico-Leão-Dourado não informa o nome do município onde morreu o mico, mas frisa que toda a população da região está vacinada. Não existe risco para seres humanos vacinados na área.
O medo dos conservacionistas é que os micos sejam vítimas da febre amarela e da ignorância humana. Este ano três micos-leões foram mortos a pauladas, lamenta o secretário executivo da Associação Mico Leão Dourado, Luís Paulo Ferraz. No estado, mais cem macacos de outras espécies foram mortos pelo temor sem fundamento de que transmitem a doença.
— O mico-leão, assim como os demais primatas, não transmite a doença, não afeta o ser humano de nenhuma forma. Mas há quem ainda não tenha entendido isso e massacre os animais. Se não bastasse o vírus, eles são muito ameaçados pela ignorância humana — frisa Ferraz.
O mico-leão-dourado é nativo do estado do Rio. Sofreu com séculos de perda de habitat e de caça. Quase desapareceu, mas graças aos esforços para a sua preservação, a população tem se recuperado, embora hoje só exista numa pequena área do estado.
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