
05/06/2018
Mais de três milhões de casos de dengue poderão ser evitados anualmente se o aquecimento do planeta se mantiver abaixo de 1,5 grau Celsius, revela estudo publicado esta semana na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences“. Trata-se do primeiro artigo científico a relatar benefícios para a saúde de um planeta menos quente, o que coloca ainda mais pressão por políticas de combate ao aquecimento global.
A infecção transmitida pelo mosquito Aedes aegypti pode desencadear febre hemorrágica, que pode ser fatal. O Brasil convive com a doença há décadas, mas nos últimos anos ela tem avançado para países antes não afetados, em parte por causa do aumento da temperatura que torna o ambiente adequado para o vetor. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o número anual de casos se multiplicou em 30 vezes nas últimas cinco décadas. Até 1970, apenas nove países sofriam com a doença, que hoje está presente em mais de cem nações.
Usando modelos de computador, cientistas da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, estimam que o aumento das temperaturas em 3,7 graus Celsius em relação ao níveis pré-industriais provocaria um aumento de 7,5 milhões de casos adicionais da doença. Mas caso políticas ambientais consigam manter o aquecimento em 2 graus, como proposto pelo Acordo de Paris, esse número seria reduzido em 2,8 milhões de casos. Outros 500 mil casos podem ser evitados se o aquecimento for de 1,5 grau.
— Existe uma preocupação crescente sobre os impactos potenciais das mudanças climáticas na saúde humana. Apesar de ser reconhecido que limitar o aquecimento em 1,5 grau Celsius traga benefícios para a saúde humana, sua magnitude continua não mensurada — afirmou Felipe Colón-González, líder do estudo. — Este é o primeiro estudo a demonstrar que reduções no aquecimento de 2 graus Celsius para 1,5 grau Celsius pode ter benefícios para a saúde importantes.
Desde o início do século, as mudanças climáticas já provocaram danos severos à saúde humana, por consequências de eventos climáticos extremos, avanço de doenças provocadas por mosquitos e a desnutrição agravada pela destruição de lavouras, alertou relatório publicado na revista “Lancet” em outubro passado. Os compromissos apresentados pelos países signatários do Acordo de Paris colocam o planeta a caminho do aquecimento acima de 3 graus Celsius, muito além do limite de 2 graus Celsius.
— Compreender e quantificar os impactos do aquecimento sobre a saúde humana é crucial para a preparação e resposta dos sistemas de saúde — apontou Iain Lake, coautor das pesquisas. — O aquecimento já ultrapassou 1 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais, e a trajetória atual, se os países cumprirem seus compromissos internacionais, é de cerca de 3 graus Celsius. Então, claramente é preciso fazer mais para reduzir as emissões de CO2 e sermos rápidos se quisermos evitar estes impactos.
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