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Um terço das áreas protegidas do mundo está em severo estado de degradação

22/05/2018

No discurso, os países prometem conservar sua biodiversidade. Na prática, tomam medidas menos ambiciosas do que as divulgadas. A crítica vem de um estudo internacional conduzido pela Universidade de Queensland (Austrália). Segundo o levantamento, quase um terço das terras protegidas do planeta, o equivalente a 6 milhões de quilômetros quadrados, está sendo severamente modificado pela atividade humana.
Essa área, segundo os pesquisadores, chegou a um estado em que será “improvável conservar a biodiversidade ameaçada ou reter as funções ecológicas necessárias para garantir sua sobrevivência a longo prazo”.
Entre os territórios sob algum estado de conservação, como parques nacionais e reservas naturais, 90% apresentaram sinais de danos ligados à exploração econômica. Por isso, ambientalistas registram um grave declínio populacional e mesmo a extinção de algumas espécies.
Para os pesquisadores australianos, que observaram 50 mil áreas protegidas em todo o planeta, a solução não é aumentar esse território, e sim melhorar sua administração. Diversas localidades que são encaixadas como legalmente conservadas não passam de “parques de papel”, já que os governos não se preocupam em tomar medidas básicas, como nomear fiscais e estabelecer que atividades devem ser permitidas ou proibidas em cada região.
— Quando as áreas protegidas são bem geridas, financiadas e posicionadas e suas leis são cumpridas, a proteção da biodiversidade é extremamente eficaz — assegura James Allan, pesquisador da Escola de Ciências da Terra da Universidade de Queensland e coautor do estudo, publicado na revista “Science”. — No entanto, muitas vezes os territórios que deveriam ser conservados não passam de linhas traçadas em um mapa.
Entre as intervenções mais críticas dentro de territórios protegidos estão a abertura de estradas, culturas agrícolas e até a construção de cidades inteiras. Os impactos mais extensos foram registrados em locais com maior concentração populacional da Ásia, Europa e África. Trata-se, por isso, de uma demonstração de que os governos são protagonistas — ou, no mínimo, cúmplices — do fracasso dos projetos para preservação dos ecossistemas.

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