
10/05/2018
Quando o Acordo de Paris foi conseguido, em 2015, na 21ª Conferência das Partes (COP) convocada pela ONU para debater as mudanças climáticas, alguns ambientalistas, mesmo comemorando o feito, alertaram para o fato de o trato poder se tornar mais uma retórica inútil.
O tempo passou e um relatório recentemente divulgado pela Oxfam - organização que centra suas atividades no combate à fome e à miséria no mundo – mostra que, mesmo depois de terem ratificado a decisão do Acordo com as devidas assinaturas, os países ricos não estão nem perto da soma de US$ 100 bilhões que haviam prometido para ajudar os pobres a passarem pelo drama dos eventos extremos causados pelas mudanças do clima. E este é um dos pontos fortes do Acordo.
O estudo mostra que, entre 2015 e 2016, os países de renda mais alta repassaram apenas metade do valor acordado em Paris: US $ 48 bilhões. Como a meta deve ser atingida até 2020, legitimamente os pesquisadores da Oxfam dão o alerta: embora as contribuições tenham aumentado desde 2015 e o setor privado tenha novas iniciativas, o valor que se vai arrecadar provavelmente não vai alcançar os US $ 100 bilhões.
Mais grave ainda do que isso é o fato, também denunciado no estudo, de que o financiamento anunciado pelos países doadores envolve projetos que não estão diretamente relacionados a mudanças climáticas. A assistência, conforme ficou acordado, deve estar relacionada à redução das emissões de gases de efeito estufa e à construção de resiliência aos eventos extremos. Muitos projetos nem esbarram nisso.
O resultado do estudo da Oxfam foi divulgado no site da Africa Climate Smart Agriculture Summit (Conferência de Agricultura Inteligente do Clima na África, em tradução literal) que vai acontecer nos dias 15 e 16 de maio no Quênia. O encontro, convocado pelo Forum de Ajuda e Desenvolvimento Internacional (Aidf), uma plataforma que reúne líderes, organizações não-governamentais, empresários e a própria ONU, tem como objetivo fomentar o debate, estabelecer colaborações. O foco é a segurança alimentar de um continente que tem 20% de sua população, ou seja, 243 milhões de pessoas, passando fome.
No site do evento, outras notícias dão conta das privações que têm atingido alguns países, sobretudo na África Subsaariana. No Mali, por exemplo, a seca e as inundações custam ao país cerca de US $ 140 milhões por ano. O governo está fazendo um projeto, que será implementado pelo Banco Mundial, para fortalecer seus sistemas de alerta contra inundações ao longo do rio Níger e melhorar seus boletins de inundação. Está sendo, para isso, apoiado pela Austrália, França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda.
Mas o Mali também está na lista dos países africanos que estão sofrendo com fome severa. Além dele, Níger, Burkina Faso e Chade estão precisando de assistência alimentar a tal ponto que suas reservas de alimentos devem se esgotar até o fim do mês.
A matéria na íntegra pode ser lida no G1
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