
03/05/2018
Uma polêmica medida para conter uma "invasão" de turistas na cidade italiana de Veneza começou a ser implementada neste sábado. Foram instaladas catracas em dois pontos importantes da cidade que costuma receber 30 milhões de pessoas por ano, com o objetivo de evitar um possível colapso em casos de fluxos excepcionais de visitantes, como neste feriado prolongado do 1º de maio.
Mas a novidade não foi bem recebida por todos. Pelo menos 30 jovens manifestantes removeram, na manhã deste domingo, uma das cancelas de metal instaladas pela Prefeitura de Veneza para desviar os turistas em caso de superlotação. Com o slogan "Veneza não é uma reserva, não estamos em perigo de extinção", o protesto foi organizado pela juventude de alguns centros sociais locais, como Morion, Sale Docks e o Rivolta di Mestre.
Controlados por agentes da polícia municipal, os postos de controle temporários foram colocados ao pé da famosa ponte projetada pelo arquiteto espanhol Calatrava, chamada Ponte da Constituição, e em outro acesso, logo após a estação ferroviária de Santa Lucia.
A manifestação aconteceu na ponte, que liga a Piazzale Roma, única área do centro histórico de Veneza acessível via carro, à estação de trens Santa Lucia. Repletos de cartazes e entoando gritos de "Veneza não é uma feira de diversões, não é um parque temático", os jovens desmontaram a catraca do local.
— Vamos restaurar o portão o mais rápido possível — disse à agências de notícias Ansa o comandante da polícia municipal, Marco Agostini.
Mesmo não sendo necessário fechar tais pontos turísticos onde estão os postos de controle, porque o número de pessoas observado estava em um parâmetro tido como "normal", a novidade surpreendeu os turistas e abriu espaço para debate e dúvidas.
As catracas foram instaladas na última sexta-feira em decorrência do feriadão de 1º de maio. A cidade espera receber mais de 200 mil visitantes. Desde o início da manhã a quantidade de turistas em Veneza tornou-se enorme e, em poucas horas, todos os estacionamentos da Piazzale Roma ficaram lotados, fazendo com que os carros fossem desviados para outro.
— Muitos nos perguntaram o que está acontecendo e como eles podem voltar se estiverem fechados — disse um agente.
— Veneza é uma cidade turística, devemos ser bem-vindos, não retidos — disse uma senhora que estava passeando em um cruzeiro e foi conhecer a cidade.
— É uma medida que não funciona — opinou uma moradora.
Ainda que haja opiniões contrárias às catracas, no último Carnaval a tentativa de um sistema que contaria pessoa por pessoa não solucionou os problemas. Por isso, esta medida experimental é vista como necessária por Luigi Brugnaro, prefeito de uma cidade que há anos luta contra a invasão de turistas.
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