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Astrônomos se reúnem no terraço do Istituto Europeo di Design, na Urca

24/04/2018

Com a cabeça no mundo da lua, eles sobem pelo elevador do Istituto Europeo di Design (IED), na Urca, carregando telescópios de vários tamanhos. Alguns levam nas mãos planisférios de papel, outros preferem conferir o mapa do céu num aplicativo de celular. Nada a ver com estudantes de design buscando inspiração. Eles são astrônomos de verdade e integram o Clube de Astronomia do Rio de Janeiro (Carj), que elegeu o terraço daquele endereço na Zona Sul como o mais novo ponto de encontro de adoradores de astros e estrelas da cidade. Segundo o presidente do Carj, o astrônomo amador Carlos Ayres, uma conjunção de fatores atraiu o grupo para lá: além da localização privilegiada, entre a praia e a montanha, o prédio oferece conforto e segurança.
— Antes, fazíamos observação na Praia da Urca. Mas começamos a ficar com medo, porque temos que passar a noite olhando para o céu. Muitos de nós trazemos nossos próprios telescópios, equipamentos importados, caros. Então, quando descobrimos este terraço, foi perfeito — conta Carlos Ayres.
Do alto do terraço do IED, com pouca luz, os astrônomos posicionam seus telescópios num ponto protegido dos postes de luz e oferecem ao público a oportunidade de passar a noite de olho em constelações e movimentações planetárias.
— É um ponto privilegiado para observação da ascensão dos astros a partir do horizonte, com um ângulo de visão amplo. Temos aqui do terraço a visão do oeste, do poente, ou seja: onde o Sol, a Lua, Vênus e outros astros se põem. Também passamos a usar a Praia Vermelha como ponto de observação, porque é uma área mais segura. Ali não temos esta visão tão ampla, mas enxergamos outros astros. Dependendo da época do ano e da localização, podemos admirar um grupo de astros e constelações — explica Ayres.
Em abril, por exemplo, no IED é possível ver com facilidade a “Caixinha de joias”, um dos mais belos aglomerados estelares, próximo ao conhecido Cruzeiro do Sul.
— Vemos também a constelação de Orion. Entre os planetas, há Vênus, Lua, Saturno, Marte, Júpiter e suas luas — garante.
Os eventos de observação, que acontecem às sextas-feiras, entre as 18h e 22h, transformaram-se numa oportunidade de troca de experiências e descobertas. Antes de olhar para o alto, o público pode assistir a palestras e bate-papos sobre astronomia. Em março, o próprio Carlos Ayres falou sobre “Exoplanetas terrestres e possibilidade de vida no universo”. Em maio, no dia 25, dois fotógrafos abordarão a astrofotografia. Eles vão ensinar os participantes a fazer uma captura de projeção positiva, que nada mais é que uma foto de um corpo celeste a partir da aproximação da câmera do celular da lente do telescópio. Alguns dos equipamentos conseguem ampliar a imagem até 240 vezes.
— Os últimos eventos reuniram cerca de 100 pessoas no terraço. Nós trazemos os nossos telescópios e ajudamos as pessoas a verem o céu, localizando os planetas e constelações e focalizando na lente. Muitos ficam encantados ou se espantam ao descobrir que é possível até fotografar a Lua com seus próprios celulares. Ver Saturno é impactante. Mas nesta época do ano ele só está visível aqui a partir de 1h30m manhã — diz Ayres, que é um apaixonado pelo tema desde a infância.


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