
24/04/2018
Doze anos após a inauguração de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em Jurujuba, banhistas, pescadores e moradores continuam convivendo com esgoto a céu aberto na porta de suas casas. O despejo in natura também continua ocorrendo nas águas da Baía de Guanabara. Na tentativa de reverter a situação insalubre que afeta mais de 500 famílias do Morro do Lazareto, conhecido como Ponta da Ilha, a Câmara dos Vereadores aprovou, no fim de 2017, uma emenda orçamentária, no valor de R$ 200 mil, para viabilizar a finalização da rede coletora do bairro, conectando-a integralmente à estação de tratamento existente. A emenda, porém, foi vetada pelo prefeito Rodrigo Neves.
No Lazareto, há pelo menos quatro saídas de esgoto que desembocam diretamente no mar. Muitas vezes, elas estão entupidas, ocasionando vazamentos de detritos nos dias de chuva. E não é raro os próprios moradores fazerem a limpeza, já que, segundo eles, apenas um gari é responsável por realizar a varrição de toda a comunidade apenas três vezes por semana. A comerciante Maria das Graças Soares Campos, que mora no Lazareto há mais de 30 anos, garante que nem tudo é culpa da falta de atenção do poder público.
— O esgoto corre por aqui, e o cheiro é horrível. Tem muita barata e muito rato. Quando chove, a água suja transborda, já que muitos moradores acabam jogando lixo em uma vala que existe na parte de cima da comunidade. Entope tudo. A culpa também é da população — afirma.
Urbanista e arquiteta, Regina Bienenstein garante que, apesar da complicada topografia da região, existem mecanismos eficazes e de baixo custo capazes de resolver a situação.
— A grande dificuldade é a implantação da rede em determinados trechos da comunidade, onde as vielas são muito estreitas, dificultando o uso de maquinário pesado. Ainda assim, dá para passar. Com a rede instalada, o esgoto seria direcionado e coletado no entorno da comunidade, na orla junto à baía, por uma passagem interligada à Estação de Tratamento de Esgoto já existente no bairro, através de uma elevatória. Seria uma espécie de cinturão protegendo a baía e trazendo mais qualidade de vida à população da região — detalha Regina.
Moradora da região há mais de 15 anos, Sônia Helena Marqui acrescenta que o despejo de esgoto na Baía de Guanabara também vem atrapalhando a atividade marisqueira, tradicional no bairro de pescadores.
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