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Cientistas registram movimentos noturnos de árvores

24/04/2018

Um levantamento tridimensional de alta precisão de mais de 20 espécies diferentes de árvores revelou um antes desconhecido ciclo de sutis movimentos de suas copas durante a noite. Estes ciclos de “sono” variaram de uma para outra espécie, e a detecção de anomalias neles pode servir para a criação de futuras ferramentas de diagnóstico de estresse e saúde de plantações.
Um dos processos mais importantes a sustentar a vida na Terra é o transporte de água do solo para as folhas das plantas, onde a fotossíntese captura a energia do Sol. Este processo tem fascinado os cientistas há séculos, e ainda é alvo de muitos debates entre especialistas em fisiologia dos vegetais. Os cientistas, porém, em geral concordam que este transporte é estimulado pela luz e, consequentemente, segue os ciclos de 24 horas do dia.
O movimento das folhas durante a noite também já era conhecido em algumas espécies de árvores da família das leguminosas, mas só recentemente descobriu-se que outras árvores também “abaixam” seus ramos em até dez centímetros durante as noites, reerguendo-os de manhã. Mas esta movimentação dos ramos é lenta e sutil e se dá durante a noite, o que torna muito difícil sua observação a olho nu.
Mas lasers de escaneamento terrestre, uma técnica desenvolvida para o mapeamento tridimensional preciso de prédios, também permite medir a exata posição dos ramos e folhas. Usada recentemente para demonstrar os movimentos das partes de madeira de bétulas sob condições de campo, a técnica agora foi novamente experimentada por cientistas da Dinamarca e da Hungria em 22 espécies de árvores e arbustos ao longo de uma noite sob condições estritamente controladas. E os resultados surpreenderam os pesquisadores:
- Detectamos um antes desconhecido movimento periódico de até um centímetro em ciclos de duas a seis horas. Este movimento tem que estar ligado a variações na pressão da água dentro das plantas, e efetivamente significa que a árvore está bombeando. O transporte de água não é apenas um fluxo contínuo como se achava – diz András Zlinszky, pesquisador do Departamento de Ecoinformática e Biodiversidade da Universidade de Aarhus, Dinamarca.
Todas árvores mostraram algum tipo de movimento dos ramos ou folhas de alguns centímetros durante o experimento. Mas um movimento de “sono”, com um ciclo de 12 horas em que retornam à posição inicial, só foi observado em sete das espécies estudadas. A experiência revelou que algumas árvores têm períodos de “sono” mais curtos ou longos do que 12 horas, e outras exibem um lento movimento contínuo em apenas uma direção, provavelmente devido a doenças ou senescência (velhice).
Um dos achados mais surpreeendentes, porém, foi que todas as plantas estudadas exibiram pulsos de diminutos movimentos periódicos ao longo da noite. Tal movimentação foi particularmente notável nas magnólias, que completam três ciclos de levantar e abaixar os ramos e folhas em uma noite. E embora o movimento detectado da copa tenha sido de apenas cerca de um centímetro, os cientistas estão confiantes de que isso não foi um erro de medição.

Saiba mais em O Globo

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