
17/04/2018
Há quase um ano, a rotina da professora Livia Ribeiro Braga, moradora de Santa Rosa, mudou completamente. Em maio de 2017, ela passou a conviver com fortes dores na coluna e nas articulações. Desde então, toma até seis analgésicos por dia e se consulta regularmente com reumatologistas. No entanto, nenhuma forma de tratamento conseguiu aliviar as fortes dores causadas pela chicungunha, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e cujos casos dispararam este ano em Niterói. De acordo com a prefeitura e a Fundação Municipal de Saúde, entre 1º de janeiro e 10 de abril, foram notificados 665 casos de suspeita da doença. O número representa um crescimento de quase 119% em relação às 304 notificações registradas nos quatro primeiros meses do ano passado.
Livia suspeita que contraiu a doença devido aos focos do mosquito de uma casa vizinha, que tem uma piscina e está fechada. O proprietário, diz ela, não vai ao imóvel há mais de um ano, e os agentes de saúde com quem conversou disseram não ter autorização para entrar no imóvel sem permissão do proprietário.
— As dores, às vezes, são mais fortes ou menos fortes, mas nunca passam, principalmente na coluna. Tomo vários analgésicos por dia, vou ao reumatologista com frequência e já tentei tratamento com chás, mas nada resolve — lamenta Livia. — Os agentes de saúde que vieram aqui em casa me disseram que não podiam entrar na casa do vizinho sem a autorização dele, cuja piscina com certeza é um enorme foco do mosquito.
Em 2014, o prefeito Rodrigo Neves assinou um decreto que permite a entrada compulsória em imóveis abandonados de agentes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Para que a entrada forçada seja feira, é preciso que o agente de vigilância em saúde faça duas tentativas de contato, deixando uma notificação sobre uma terceira visita. Se nesta o responsável pelo imóvel não for localizado, o ingresso compulsório é informado no Diário Oficial do município. Em fevereiro, uma reportagem do GLOBO-Niterói mostrou que desde que o decreto foi assinado, nenhuma entrada compulsória foi realizada, segundo a prefeitura, na ocasião, porque os proprietários notificados sempre colaboraram com as ações de fiscalização e providenciaram a eliminação e limpeza após receberem os autos de infração.
A prefeitura reitera a resposta e reforça que no ano passado foram emitidos autos de infração para 182 imóveis fechados referentes ao controle de vetores.
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