
10/04/2018
Uma lista de dezenove fortalezas erguidas entre os séculos XVI e XIX, em dez estados do país, é a mais nova aposta do governo brasileiro para conquistar mais uma vaga na lista de bens tombados pela Unesco. Neste conjunto, duas das mais importantes — e bem preservadas — destas fortificações históricas estão no Rio de Janeiro: as Fortalezas de Santa Cruz da Barra, construída a partir de 1578, em Niterói, e a de São João, erguida no local de fundação do Rio de Janeiro, em 1565. Localizadas na entrada da Baía de Guanabara, as duas edificações reúnem acervos raros, como canhões e munições originais, seguem até os dias atuais como instalações militares e são abertas à visitação pública.
As fortalezas do Brasil serão apresentadas pelo Iphan como peças de um grande quebra-cabeça que ajuda a contar a história da formação do território brasileiro, desde a época do Brasil Colônia até o dias atuais. Em março, a cidade de Paraty teve a candidatura ao título de Patrimônio da Humanidade aceita pela Unesco. Em 2012, a cidade do Rio foi a primeira do mundo a receber o prêmio pelo conjunto da paisagem e no ano passado, o Cais do Valongo, na região portuária do Rio, foi reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade.
— Esta lista contempla estas duas fortificações do Rio porque elas estão diretamente interligadas com a historia do Rio de Janeiro. A cidade foi fundada em 1565, quando aqui chegaram os portugueses com intuito de expulsar os franceses, que estavam na cidade para funda o núcleo de colonização da França-Antártica. Fontes históricas indicam que já em 1555, franceses colocaram duas peças de artilharia na exatamente na posição onde hoje está a Fortaleza de Santa Cruz da Barra. O fato é que desde o século 16 existe uma posição de defesa na Baía de Guanabara — relata o tenente Henri Torres, historiador militar.
Distantes cerca de 1.500 metros , no passado elas “fechavam” a boca da Baía de Guanabara e atuavam de foram integrada. A Fortaleza de Santa Cruz surge como forte Nossa Senhora da Guia, em 1578, assumindo logo papel de principal elemento do conjunto defensivo da Baía de Guanabara. No período do Império foi considerada a mais importante do Brasil, por estar armada com mais de 130 canhões. Deixou de funcionar como fortificação em 2006, e em 478 anos participou de vários eventos ligados ao passado nacional, como a invasão de Duguay-Trouin, em 1711, a Questão Christie, em 1863, a Revolta da Armada, entre 1893 e 1894, e a revolução 1930.
A de São João guarda o simbolismo de ter nascido no local de fundação da cidade do Rio de Janeiro, junto ao Morro Cara de Cão, na Urca, em 1565. Ele foi uma das primeira providências dos portugueses para combater os franceses que haviam se instalado no Rio de Janeiro. Assim como a vizinha do outro lado da baía, ela sendo ampliada, tendo características da arquitetura militar do século XVI ao XX. Além de ser ponto de defesa da entrada da baía de Guanabara, serviu como asilo de veteranos, escola de formação de soldados, local de prisioneiros de guerra paraguaios e escola de formação de oficiais. Em conjunto com a Fortaleza da Santa Cruz, atuou em todas ações militares na Guanabara. Deixou de ser fortificação em 1998.
Segundo Adler Homero, especialista em fortificações, e pesquisador do Iphan, o Brasil é o único país do mundo que reúne tantos fortes com arquitetura preservada e acervos originais. E as construções do Rio de Janeiro mantém ainda mais vivo o cenário do passado porque até hoje são usadas como áreas militares, não apenas como museus. As duas são geridas pelo Exército, que mantém em Santa Cruz o comando da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão do Exército e em São João, que abriga, entre outros órgãos, a Escola de Educação Física do Exército. Os dois monumentos estão em áreas tombadas pelo Iphan.
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