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Brasil joga pelo ralo 38% de água com boa qualidade

27/03/2018

Sob o mito da abundância e como preço de anos de investimento insuficiente, o Brasil desperdiça anualmente 38% do volume de “água boa” — ou seja, tratada e pronta para uso — que deixa as empresas de abastecimento e saneamento rumo às casas e fábricas. Perdas são comuns nas redes mundo afora. Mas o desempenho do país é significativamente pior do que os de Austrália (7%) e EUA (13%), e até mesmo dos de China (22%) e Rússia (23%).
O desperdício do valioso recurso natural, em pleno século da escassez, se dá por meio de reservatórios que transbordam e de vazamentos em tubulações de distribuição antigas e mal cuidadas. De acordo com dados da “Conjuntura dos recursos hídricos do Brasil 2017”, da Agência Nacional de Águas (ANA), órgão regulador federal, atualmente 35% das redes do país têm vazamentos significativos.
Não bastassem as deficiências estruturais, o brasileiro ainda tem maus hábitos de uso da água, que os leva a jogar literalmente ralo abaixo parte do dinheiro pago às distribuidoras. Lavar a calçada com mangueira ou deixar a torneira aberta enquanto se escova os dentes, por exemplo, são práticas ainda comuns. E que agravam as condições de abastecimento em períodos de restrição hídrica, como o enfrentado por São Paulo em 2014, ou como ocorreu mais recentemente no Distrito Federal.
— A perda é tudo aquilo que foi tratado, colocado na rede de distribuição, mas que ninguém usou, e as concessionárias também não receberam por esse consumo. Tem também a perda comercial, que é fruto de fraudes ou de hidrômetros que fizeram a medição errada — explica Alexandre Lopes, presidente do Sindicato Nacional das Concessionárias de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Sindcon).
No Brasil, o padrão de desperdício de água é elevado em todo o país. Chega a estratosféricos 70,49% no Amapá, mas tem nos 30,23% de Goiás o mínimo registrado. O Sudeste tem a menor média entre as regiões, 34,7%.
Combater esse tipo de desvio depende de investimentos das concessionárias, que nem sempre acompanham as necessidades da rede.

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