
22/03/2018
A enorme base terrestre do Brasil e ainda o clima geralmente favorável oferecem um grande potencial para expandir ainda mais a produção agrícola do país, tanto por intensificação agrícola quanto por expansão controlada das terras cultivadas. No entanto, o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) Luiz Roberto Guimarães Guilherme, pesquisador de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) alerta que uma grande consideração econômica e ambiental na expansão da agricultura brasileira é o aumento da demanda de fertilizantes, exigência para uma maior produção agrícola, e em particular o fósforo. "60% desse fósforo é importado. A alta demanda e a forte dependência de importação de fertilizantes tornam a agricultura brasileira particularmente vulnerável à escassez e flutuações de preço. Assim, as estratégias para reduzir essa dependência e usá-lo de forma mais eficiente tornar-se-ão cada vez mais importantes", aponta.
O assunto é tema de pesquisa da qual participa o Prof. Luiz Roberto, cujo resultado foi publicado recentemente na Scientific Reports/Nature, apresentando possibilidades de melhorar a eficiência da agricultura brasileira com tecnologias alternativas que visem à sustentabilidade na gestão do fósforo. Participaram do estudo, ainda, o pós-doutorando Teotônio de Carvalho, também da UFLA, os pesquisadores de Produtividade em Pesquisa do CNPq Paulo Pavinato (ESALQ), Luciano Gatiboni (UFSC), Ciro Rosolem (UNESP), além de Fernando Andreote (ESALQ). Além destes, outros oito pesquisadores de expressividade no estudo do fósforo em solos tropicais participaram desta pesquisa, dentre eles quatro pesquisadores da EMBRAPA, dois pós-doutores pela USP e um pesquisador britânico (Paul Withers).
Algumas alternativas já são bastante difundidas com o intuito de diminuir o uso de fertilizante fosfatado, como cultivar em solos que possuem maior teor de matéria orgânica ou fazer calagem (ação ou efeito de adubar a terra com cal). ¿Há um cenário de utilização alta de fósforo no Brasil, mas, existe uma série de estratégias. Está sendo construída uma poupança de fósforo no solo, eventualmente, em certo momento, ficaremos como nos Estados Unidos e boa parte da Europa, com produção em alta e taxa de fósforo constante¿, comenta ainda o professor Luiz Roberto.
Nesse estudo, após fazer uma nova análise estratégica da demanda/oferta atual, os pesquisadores constataram que os recursos secundários de fósforo que são produzidos anualmente (por exemplo, esterco de gado, resíduos de processamento de cana-de-açúcar) poderiam potencialmente fornecer até 20% da demanda de fósforo da safra em 2050. "Os cenários para intensificação agrícola no Brasil até 2050 foram construídos com base em tendências e dados do censo nacional da área de cultivo total brasileira, produção de cultura, número de animais e consumo de fertilizantes", explicam.
Mas, de acordo com os pesquisadores, ainda é necessário buscar outras fontes alternativas de fósforo, até mesmo em razão de novas áreas que ainda serão adaptadas para a agricultura. "Temos áreas novas, como na região de Matopiba (estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), com cerca de 70 milhões de hectares de fronteira agrícola e um solo igual ao que o professor Alfredo Scheid Lopes estudou há 40 anos no cerrado". Mas, hoje, dizem os pesquisadores, já são aplicadas estratégias ainda mais modernas para construir a fertilidade desse solo.
Saiba mais no site do CNPq
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