
20/03/2018
Compreender a complexidade ambiental e outras dimensões dos sistemas ecológicos exige uma abordagem holística que só pode ser alcançada por meio da identificação, recuperação e síntese de dados de fontes diversas; do intercâmbio entre pesquisadores das mais diferentes áreas; e de muita investigação. Essa é a ideia central que motivou agências de fomento à pesquisa e cientistas a conceber o Centro de Sínteses em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos do Brasil.
Um passo importante para a implementação dessa iniciativa foi dado na semana passada, com o primeiro workshop do Centro, que reuniu por três dias pesquisadores de todo o país e representantes de diversas instituições governamentais e não governamentais com atuação na área de meio-ambiente. O encontrou contou ainda com a participação dos Diretores dos Centros de Sínteses dos Estados Unidos (SESYNC), da França (CESAB), da Alemanha (iDiv) e da Inglaterra (EOS), que apresentaram suas experiências na criação e na coordenação dessas organizações.
No encontro, os participantes discutiram a atuação do Centro brasileiro a partir de quatro tópicos principais: 1) Missão, visão, objetivos e estratégias para gestão, avaliação e monitoramento da implementação do Centro. 2) Parcerias Nacionais e Internacionais; 3) Mapeamento de atores a serem envolvidos e estratégia de comunicação; 4) Desafios e demandas para sínteses.
Nesse cenário, os centros de análise e síntese aparecem como ferramentas efetivas e indispensáveis para avaliar e integrar dados, trazendo sempre um novo valor ao conhecimento gerado regionalmente, facilitando o uso desse conhecimento para a elaboração de políticas públicas efetivas e geração de soluções.
Para a implementação do Centro no Brasil, são planejadas três fases: implementação, estrutura simplificada e estrutura consolidada. "Esse planejamento cuidadoso incluindo etapas em seqüência nos permitirá avançar com segurança para o estabelecimento de um Centro de excelência que possa ser uma referência nacional e internacional para sínteses em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. É preciso garantir o envolvimento de diversas instituições atuando desde o fomento da pesquisa, passando pela definição de políticas públicas até a sua implementação para que possamos fortalecer a ponte entre a ciência a tomada de decisão na área ambiental. Nesse sentido, iremos continuar a dialogar com os diversos atores que devem e querem fazer parte dessa iniciativa, em um processo de construção coletiva", aponta Marcelo Morales, do CNPq.
Presente no workshop, a pesquisadora Flavia Costa, do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA) acredita que o Centro de Sínteses é uma maneira de fazer com que as informações que ficam dispersas possam ser agregadas de uma maneira útil. "É uma diferença entre ter dados e ter conhecimento. O governo não quer ter dados, o governo quer ter conhecimento para solucionar os problemas nacionais. Nós como comunidade cientifica, queremos influenciar a tomada de decisões, porque nós somos um grupo que, às vezes, provê soluções mas muitas vezes contrapõe decisões de governo, e se nós não tivermos força para demonstrar que o conhecimento cientifico é sólido, nós perdemos nas negociações", conclui.
Leia mais no site do CNPq
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