
06/03/2018
A imagem de um transatlântico atracado na Baía da Ilha Grande não é rara, principalmente no verão. Mas o desembarque de turistas — brasileiros e estrangeiros — virou motivo de preocupação no local, diante dos 25 casos confirmados de febre amarela, com 12 mortes. Pelos seus 190 quilômetros quadrados de belas paisagens, um vazio. Pousadas com leitos disponíveis, campings com vagas de sobra e restaurantes e praias com pouco movimento. A morte de 32 macacos bugios só este ano aumenta o alerta, e o número de animais mortos pode ser ainda maior.
— Acreditamos que seja bem superior — afirma o gestor do Parque Estadual da Ilha Grande, Tércius Barradas. — Esses primatas foram localizados em 15 áreas diferentes da ilha. São recolhidos perto de residências, trilhas e praias, mas há áreas mais afastadas, inóspitas, com matas bem fechadas, onde devem existir muitos animais mortos, infelizmente. É uma dor muito grande.
A morte dos macacos pode ser a explicação para um silêncio que intriga a população.
— Não se ouve mais o som dos bugios pela manhã. Nós aqui estamos acostumados com o barulho e a visita deles, mas sumiram há cerca de um mês. Nossa ilha está morrendo — afirma, entristecido, Vitor Peres, de 21 anos, que já encontrou três primatas sem vida numa das 16 trilhas da região.
Também acostumada com o som dos macacos, a argentina Cri Sanches, que mora há cinco anos na ilha, disse que os sinais do vírus estão na região há bastante tempo:
— Há cerca de um ano, encontrei três animais mortos no terreno de uma pousada onde eu morava, na Praia Vermelha.
Amostras de todos os macacos são levadas para análise no laboratório da Fiocruz. Apenas um caso de epizootia (febre amarela em macacos) foi confirmado até agora na Ilha Grande, segundo boletim epidemiológico da Secretaria estadual de Saúde. Procurado na sexta-feira, o órgão ainda aguardava os resultados dos exames dos demais bugios.
Os dados alarmantes afastaram os turistas e, segundo donos de pousadas e comerciantes, este verão só não foi pior que o de 2010, quando dois deslizamentos de terra após fortes chuvas mataram 53 pessoas na localidade de Bananal.
— No carnaval, diminuímos em quase 40% o valor da diária. Fizemos panfletagem entre turistas e, ainda assim, não lotamos o hostel — disse a atendente Pamela Ybalo.
A matéria pode ser lida em O Globo
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