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Bares e restaurantes aderem ao movimento mundial contra os canudos de plástico

27/02/2018

Quatro minutos na boca, mais de cem anos nos oceanos. Essa é a média do tempo que usamos um canudo de plástico e que o material leva para se decompor no mar, para onde vão cerca de oito milhões de toneladas de plástico por ano, segundo o grupo Ocean Conservancy. Isso sem falar que, por aqui, ele ainda vem em uma embalagem de... plástico. E se você só se deu conta disso depois que o vídeo que mostra o utensílio sendo tirado da narina de uma tartaruga viralizou (já são quase 20 milhões de visualizações), saiba que bares e restaurantes, antenados com um movimento mundial, já estão em busca de alternativas para mudar esta história.
— A questão do lixo sempre me incomodou. A gente fala muito de onde vêm os produtos, mas não para onde o lixo vai, e isso interfere em tudo — acredita Nathalie Passos, do Naturalie Bistrô, que acaba de substituir os canudos de plástico pelos de inox e recebeu elogios e críticas pela mudança. — Teve gente dizendo que é anti-higiênico. Mas o canudo deve ser tratado como qualquer outro utensílio que vai à boca, como talheres e copos. Tem uma escovinha específica para a higienização.
Sucesso na casa, os sucos — como o Colágeno (manga, morango, água de coco e tâmara, R$ 19,90) — decantam, e o canudo funciona, principalmente, como um mexedor.
Desde que abriu, em 2016, o bar de vegetais Teva (que significa natureza em hebraico) nunca teve canudos de plástico, apenas de inox ou papel. Faz parte do conceito do lugar. A limonada de lavanda orgânica com limão-siciliano e o suco de jambo (com cranberry e água de coco, R$ 16), por exemplo, são servidos com canudos de papel. Alguns coquetéis como o Yasmim (gim, infusão de hibisco, limão e hortelã, R$ 30) vem com o canudo de inox.
— A maioria dos nossos clientes tem consciência alimentar e de um mundo mais sustentável, e os canudos entram aí — diz o chef Daniel Biron, dizendo que a iniciativa tem um porém. — As pessoas gostam tanto que acabam “levando” os canudos de inox para casa, principalmente o de caipirinha (R$ 26, com cachaça orgânica). Já pensei até em botar um GPS nos canudos — brinca.
Os olhos e as mãos grandes dos clientes pelos canudos de inox e vidro são um obstáculo para os estabelecimentos, que amargam o prejuízo. Enquanto cada canudo de plástico custa entre R$ 0,05 a R$ 0,08, o de papel sai por R$ 0,40, o de inox R$ 9, e o de vidro, R$ 40 (com escovinha e capa).

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