
27/02/2018
Pesquisadores do Laboratório de Pesquisa em Produtos Naturais da Universidade Federal do Tocantins e do Instituto Federal do Tocantins descobriram que é possível produzir açúcar com cascas de camarão. As instituições deram entrada num pedido de patente internacional.
Esse novo tipo de açúcar pode ser transformado em álcool. Isso é possível porque na casca do camarão existe uma substância chamada quitosana. A descoberta é resultado da dissertação de mestrado do pesquisador em biologia Eber de Souza.
"Estamos trazendo para nossa história como pesquisadores, como academia, como sociedade, uma nova fonte de açúcar, porque as que nós possuíamos anteriormente eram basicamente a partir da cana-de-açúcar. Esse é o primeiro açúcar fermentescível a partir de uma origem animal."
A quitosana é o segundo biopolímero mais abundante do planeta. "Só perde para celulose que é muito conhecida e utilizada em várias áreas pela ciência. No caso do camarão, específico na carapaça dele, existem alguns compostos como minerais e proteínas. Entre estes compostos existe a quitina, que por um processo químico chega até a quitosana. É justamente esse biopolímero muito utilizado na indústria na área farmacêutica, na área médica, na área química. Agora nós conseguimos degradar esse biopolímero até o formato, até o açúcar menor, o fermentescível", explica Souza.
Os pesquisadores trituraram a casca do camarão e fizeram um processo químico para retirar as proteínas e os minerais até que restasse somente a quitosana, que é um pó de cor bege. Junto com essa substância, os professores colocaram mais dois reagentes líquidos que ainda não podem divulgar quais são.
Este processo é todo feito na temperatura ambiente. O primeiro produto transformou a quitosana em gel e o segundo quebrou as moléculas, dando origem ao açúcar fermentescível, que a indústria poderá utilizar de diversas maneiras, inclusive, na produção de biocombustível.
"Através da utilização da inovação, nós adicionamos o reagente à quitosana permeabilizada. Isso fez com que a molécula fosse quebrada e durante o processo de quebra ocorreu a liberação de nitrogênio, que é um ácido não poluente. Essa molécula quebrada formou um açúcar que pode ser convertido então em etanol", diz o pesquisador em química Sergio Ascêncio.
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