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Cientistas estudam ´primo´ do peixe mais feio do mundo

22/02/2018

Que me desculpem os mais belos, mas beleza não é fundamental, sobretudo quando se vive em zonas abissais, na Costa da Austrália. Um exemplar raro é um dos destaques de estudo com mais de 42 mil peixes e invertebrados retirados de até 4.800 metros de profundidade. Ele foi identificado como primo do Sr. Blobby, eleito o animal mais feio do mundo em 2013 pela Ugly Animal Preservation Society, uma sensação nas mídias sociais à época.
- Não é fofo? É muito maior do que o exemplar que pegamos outro dia - diz uma cientista, enquanto segura a rariradade na bandeja.
O ´primo´ estava há 2.500 metros de profundidade, capturado, ano passado, durante expedição liderada pelo Museu Victoria, em Melbourne. Foi a primeira pesquisa em águas abissais na costa leste da Austrália. Na ocasião, mais de 100 espécies de peixes raramente vistas - algumas novas - também foram recolhidas. A pesquisa, que durou um mês, usou redes, sonar e câmeras de profundidade.
Cientistas se reuniram esta semana em Hobart, capital da Tasmânia, para examinar mais de perto a coleção que inclui peixes blob, primos do Sr. Blobby, pertencente à família psychrolutidae, descoberto na costa da Nova Zelândia em 2003. Entre as outras espécies há tubarões com dentes serrilhados, um lote de peixes-lagarto e um exemplar gracioso no formato de tripé.
O ictiólogo do museu Victoria, Martin Gomon, disse que a reunião em Hobart foi a primeira tentativa sistemática de examinar a vida nas profundidades da zona abissal em qualquer lugar do vasto litoral australiano.
- As descobertas nos fornecem um vislumbre de como nossa fauna marinha se encaixa no ambiente abissal interligado em todo o mundo - disse ele, em busca de pistas sobre a evolução no mar profundo.
A vida em grandes profundidades está sujeita a pressões esmagadoras, sem luz, pouca comida e temperatura muito baixa. Como a comida é escassa, geralmente são pequenos e se movem devagar. Muitos são gelatinosos e passam a vida flutuando, enquanto outros têm presas mortais e esperam que a comida chegue até eles.

Fonte: O Globo

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