
20/02/2018
Pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC) anunciaram nesta quinta-feira que detectaram a presença do vírus da febre amarela em outra espécie de mosquito além das dos gêneros Haemagogus e Sabethes, principais transmissores da versão silvestre da doença. Segundo os cientistas, o micro-organismo também foi encontrado em exemplares da espécie Aedes albopictus (apelidada “tigre asiático”) capturados em 2017 em áreas rurais próximas dos municípios de Itueta e Alvarenga, em Minas Gerais, mas ainda são necessários mais estudos para saber se eles podem transmitir a doença.
- O encontro do vírus no mosquito Aedes albopictus não significa necessariamente que ele adquiriu o papel de transmissor da febre amarela. Por isso é preciso voltar a essas áreas para uma nova coleta de mosquitos e avaliar a capacidade de transmissão deles - explicou o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos, em coletiva de imprensa realizada nesta quinta no Ministério da Saúde, ao qual o IEC é vinculado.
Diante da informação, o Ministério da Saúde reiterou que não há registro de um ciclo urbano da febre amarela no país, cuja transmissão se dá por mosquitos da espécie Aedes aegypti, os mesmos que transmitem os vírus da dengue, zika e chicungunha. Ainda de acordo com o ministério, até agora não foram encontrados A. aegypti infectados com o vírus da febre amarela e todos os casos da doença registrados no Brasil desde 1942, inclusive os atuais, são silvestres. Isto quer dizer que o vírus foi transmitido por vetores que existem em ambientes de mata (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes), com os mosquitos também tendo sido contaminados por um hospedeiro silvestre, no caso, macacos.
- O que está ocorrendo no Brasil é que os casos de febre amarela estão ocorrendo em áreas onde não era recomendada a vacinação, portanto as pessoas estão suscetíveis porque não eram vacinadas. Por isso a importância de se vacinarem nessa campanha e evitarem casos e mortes pela doença – concluiu Vasconcelos.
Segundo o Ministério da Saúde, de 1º de julho de 2017 a 15 de fevereiro deste ano foram confirmados 407 casos de febre amarela no país, sendo 183 em São Paulo, 157 em Minas Gerais, 68 no Rio de Janeiro e 1 no Distrito Federal. Também foram registrados 118 óbitos em todo o país, 44 em Minas Gerais, 46 em São Paulo, 27 no Rio de Janeiro e um no Distrito Federal. No mesmo período do ano passado, 532 casos e 166 óbitos foram confirmados. Os dados ainda são preliminares e um novo boletim epidemiológico deverá divulgado nesta sexta-feira, dia 16 de fevereiro.
Fonte: G1
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