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A invasão dos clones: espécie mutante de lagostim se espalha pelo mundo

08/02/2018

O Procambarus virginalis, conhecido como marmorkrebs, é uma espécie de lagostim de água doce com uma característica única. Diferente de outros crustáceos, ele se reproduz por partenogênese, ou seja, sem sexo. Apenas um exemplar é capaz de gerar centenas de filhotes anualmente, todos fêmeas geneticamente idênticas, clones da mãe. O animal foi identificado pela primeira vez num aquário alemão em 1995 e, em menos de três décadas, se espalhou por diversos países da Europa, África e Ásia, se transformando numa ameaça aos ecossistemas nativos.
— As pessoas iam às lojas de animais, compravam um lagostim e colocavam no aquário de casa. Em um ano, existiam centenas. Eles poderiam ser dados a amigos ou devolvidos para as lojas, mas alguns eram jogados na privada ou soltos em lagos. Foi assim que o marmokrebs chegou na natureza — conta Frank Lyko, pesquisador do Centro de Pesquisa do Câncer da Alemanha e coautor de estudo publicado nesta semana na revista Nature Ecology and Evolution.
O aquarista que identificou o animal pela primeira vez contou a Lyko ter comprado o exemplar numa feira, sendo apresentado como “lagostim do Texas”. De fato, o marmokrebs está ligado aos EUA. Seu genoma tem origem na reprodução sexuada entre uma macho e uma fêmea de Procambarus fallax, crustáceo nativo dos Everglades, na Flórida, mas uma mutação gerou a nova espécie.
Fisicamente, o P. virginalis e o P. fallax são extremamente parecidos, sendo impossível distingui-los visualmente. Ambos medem entre 12 e 15 centímetros quando adultos e possuem a carapaça marmorizada. Mas geneticamente, o marmorkrebs é um triploide, com três cópias de cada cromossomo, contra duas da maioria das espécies animais do planeta. Normalmente, as células sexuais possuem um conjunto de cromossomos e os filhotes formam uma dupla reunindo a contribuição masculina e feminina. No caso do marmorkrebs, o gameta de um dos pais possuía um par de cromossomos.
O primeiro marmorkrebs nasceu e se desenvolveu normalmente, mas no momento da procriação não precisou ter os ovos fecundados. E os três conjuntos de cromossomos começaram a ser passados de geração em geração. A equipe de Lyko comparou o genoma de 11 exemplares, sendo cinco capturados em lagos de Madagascar e outros cinco na Alemanha, sendo três de aquários diferentes, além do genoma de referência.
— Nós temos uma população de clones. Todos os filhotes têm o genoma idêntico ao da fêmea original — explica Lyko. — Quando eu digo idêntico, não quero dizer 100% igual. Nós encontramos algumas centenas de variações, mas considerando que o genoma desse lagostim é maior que o do ser humano, é um número extremamente pequeno.

Saiba mais em O Globo

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