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Camada de ozônio se recupera nos pólos, mas redução persiste em áreas populosas do planeta

06/02/2018

Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira trouxe resultados preocupantes para o planeta. Embora a camada de ozônio esteja se recuperando nos pólos da Terra, o mesmo não aconteceu em lugares de latitudes mais baixas, que são os mais populosos. Entre as latitudes de 60º Sul e 60º Norte, a concentração do gás na parte inferior da estratosfera (a uma altura de 15 quilômetros a 24 quilômetros) segue em redução mesmo com a proibição do uso de clorofluocarbonetos (CFCs), principais compostos causadores da destruição da camada, que funciona como um escudo para proteger o planeta dos raios solares.
De acordo com os cientistas, ainda não é possível confirmar a causa dessa recuperação nos pólos, mas não em outros lugares. Mas há duas hipóteses que podem explicar o fenômeno. Uma delas tem relação com uma alteração nos padrões de circulação atmosférica causada pelas mudanças climáticas, o que faria com que o ozônio, que é produzido na região dos trópicos, acabasse sendo levado para longe deles.
A outra explicação possível é que substâncias de vida curta (assim chamadas porque ficam menos tempo na atmosfera) também estão contribuindo para destruir o ozônio. Esses compostos geralmente são encontrados em solventes de tinta e desengordurantes, que levam em sua composição cloro e bromo. A possibilidade de haver atuação de substâncias de vida curta na degradação da camada foi surpreendente para os cientistas, já que, até então, pensava-se que esses compostos não ficavam tempo suficiente na atmosfera a ponto de alcançar a estratosfera, onde está o ozônio.
A falta de recuperação da camada de ozônio nas regiões de baixa latitude acendem um alerta devido às consequências que isso pode gerar justamente nas regiões onde há mais pessoas no globo.
- O potencial de danos em latitudes mais baixas pode ser pior do que nos pólos. As reduções no ozônio nesses locais são menores do que vimos nos pólos antes do Protocolo de Montreal ser promulgado, mas a radiação Ultravioleta é mais intensa nessas regiões e mais pessoas vivem lá - afirma Joanna Haigh, co-autora do estudo e co-diretora do Instituto Grantham para as Mudanças Climáticas e o Meio Ambiente no Imperial College, em Londres.
O Protocolo de Montreal entrou em vigor em 1989 para banir o uso de CFCs no planeta. O documento obteve a adesão de 197 países e foi eficaz para reduzir o uso dessas substâncias, impactando positivamente na recuperação da camada de ozônio, sobretudo no buraco existente na Antártica.

Fonte: O Globo

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