
01/02/2018
Uma pesquisa publicada nesta terça-feira aponta que os gastos médicos diretos e indiretos para tratamento contra doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, zika e chikungunha) custaram ao governo R$ 805 milhões em 2016. O documento usou custos com medicamentos, que totalizaram R$ 373,9 milhões (16% do PIB), além de despesa com funcionários que não puderam comparecer ao trabalho, um total de R$ 431,3 milhões (19% do PIB).
Neste período, segundo Ministério da Saúde, foram notificados 1.500.535 casos de dengue, com 642 óbitos. Com relação à chikungunha, foram registrados 271.824 casos, com 196 mortes. Já o vírus zika teve 215.319 registros e 8 óbitos.
No que diz respeito ao custo do combate ao mosquito, a pesquisa chegou à soma de R$ 1,47 bilhão, ou 65% do impacto total do Aedes aegypti na economia do país. Somando todos esses valores, os pesquisadores concluem que foram utilizados R$ 2,3 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2016, ou cerca de 2% do orçamento da Saúde naquele ano.
A estimativa de gastos médicos diretos usou dados do SUS e se deu por meio da contabilidade de casos das doenças multiplicados pelo gasto médio ambulatorial e hospitalar com pacientes. Já os custos do impacto indireto das arboviroses usou dados de renda média da população e uma estimativa de dias em que os pacientes tinham de se ausentar no trabalho.
Com relação ao combate, pesquisadores da Sense Company usaram os repasses aos estados e municípios para vigilância em saúde, pagamentos mensais para manutenção de agentes de controle de endemias e aquisição de inseticida. A pesquisa foi encomendada pela Oxitec, empresa de controle de insetos vetores de doenças e pestes agrícolas.
— Os valores que estimamos podem ser considerados um patamar mínimo de impacto econômico, porque não foram levadas em conta as estimativas de subnotificação, que são os casos sem registro oficial — explicou a engenheira Vanessa Teich, professora do Insper e fundadora da SENSE Company.
Vanessa afirmou ainda que não foi levado em consideração o tratamento de crianças atingidas por microcefalia, ocasionada pelo vírus zika, por entender que trata-se de um levantamento de médio a longo prazo.
Em visita a São Paulo, na última semana, o ministro da Saúde Ricardo Barros defendeu que o país está no caminho certo quanto à vigilância epidemiológica.
— O combate ao aedes aegypti está com resultados positivos. Casos de zika caíram 96% ano passado. A dengue caiu 86% e a chicungunha 32%. Já a febre amarela, o vírus circula lá na mata, não no ambiente urbano. Controlamos a febre amarela imunizando pessoas em contato com a mata. Não temos mecanismo de ir à mata e combater o mosquito.
A febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que pica o primata na mata. A febre amarela urbana não existe no Brasil desde 1942 e é transmitida pelo Aedes aegypti.
Fonte: O Globo
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