
01/02/2018
Sabe-se, desde a epidemia de zika em 2015, que o vírus é capaz de atravessar a placenta de mulheres grávidas e causar deformidades no feto, incluindo a microcefalia — má-formação em que o bebê tem o desenvolvimento cerebral interrompido, nascendo com a cabeça menor do que o normal. Agora, porém, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, constataram que "primos" do vírus da zika, da família flavivírus, também podem gerar essas deformidades congênitas. Segundo o estudo, publicado nesta quarta-feira na "Science Translational Medicine", os mais perigosos são o vírus do Oeste do Nilo e o vírus Powassan.
A pesquisa analisou a atuação de quatro vírus em camundongos grávidas: o chicungunha, o vírus Mayaro, o do Oeste do Nilo e o Powassan. Todos são flavivírus e têm características estruturais muito semelhantes ao vírus da zika. A conclusão da análise foi que, embora todos os quatro tenham atravessado a placenta e se replicado dentro do cérebro fetal, somente o vírus do Oeste do Nilo e o vírus Powassan causaram a morte do feto.
Essa descoberta acende um alerta: é possível que parte dos casos de deformidades congênitas — incluindo microcefalias — atribuídos hoje à zika sejam, na verdade, causados por vírus "parentes".
O próprio histórico da zika indica isso: embora o vírus tenha sido identificado pela primeira vez há mais de 70 anos, sua capacidade de provocar má-formações congênitas não foi observada até a epidemia que atingiu a América do Sul, em especial o Brasil, em 2015. Questionado pelo GLOBO se é possível, então, que no caso de alguma epidemia desses outros vírus, vejamos o nascimento de bebês gravemente afetados por eles, o americano Jonathan Miner, um dos autores do estudo, afirma que sim.
— Pensamos, sim, que é muito possível que outros vírus tenham a mesma capacidade do vírus da zika — diz ele, que é pesquisador do Departamento de Microbiologia Molecular da Universidade de Washington.
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