
16/01/2018
Na última terça-feira, Oldair José da Silva, de 43 anos, e Sônia Maria da Silva Neves, de 57, aproveitaram uma trégua nas fortes chuvas que começaram a castigar a Região Serrana na semana passada e improvisaram um churrasco no quintal. Há seis meses, os dois moram numa casa da localidade de Três Irmãos, em Conselheiro Paulino, distrito de Nova Friburgo. A rotina do casal, que levou para um amplo terreno da Rua Rio do Brumado um cavalo, dois cachorros e meia dúzia de galinhas, além de sete panelas, seria boa se não fosse um detalhe crucial: o imóvel está interditado pela Defesa Civil. A residência, com rachaduras, corre o risco de desabar a qualquer momento, e isso pode ocorrer sem que caia uma gota do céu. Uma situação perigosa que envolve outras 50 casas da mesma rua, invadidas por cerca de cem pessoas depois de serem abandonadas.
Sete anos depois de a Região Serrana ter sido cenário do maior desastre natural da história do país, que, oficialmente, deixou 918 mortos e 99 desaparecidos, famílias inteiras ainda vivem em áreas de risco. Um levantamento do GLOBO baseado em informações da Defesa Civil e de associações de moradores revela um dado impressionante: 171,8 mil pessoas ocupam casas que podem ser atingidas por quedas de barreiras, deslizamentos de terra ou enchentes nos municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Bom Jardim. O número corresponde a 23% do total de habitantes das quatro cidades.
Oldair e Sônia fazem parte do grupo de milhares de pessoas que, nos últimos anos, começou a ocupar casas abandonadas em áreas de risco, inclusive daquelas que fizeram parte da tragédia de 2011.
— Eu sei que há perigo, mas vou morar onde? Vivo de biscates, não tenho renda para pagar aluguel — disse Oldair, que deixou de ser inquilino de um barraco no bairro de Cordoeiro, também em Nova Friburgo.
A Rua Rio Brumado é uma ladeira. Em vários trechos, é possível ver imóveis com grandes rachaduras. Como a energia elétrica da área foi cortada, gatos feitos com longas fiações iluminam os imóveis invadidos. Portas e janelas retiradas pelos antigos moradores foram substituídas por tapumes e pedaços de tecido, que viraram cortinas improvisadas.
Em Nova Friburgo, a cidade mais castigada pelo temporal de 2011, há aproximadamente 24 mil pessoas vivendo em áreas de risco. Muitas delas voltaram a morar em casas atingidas por enxurradas e deslizamentos, condenadas pela Defesa Civil.
Leia a matéria completa em O Globo
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