
09/01/2018
O aquecimento global, junto com a poluição nas zonas costeiras, está fazendo com que as chamadas “zonas mortas” se multipliquem nos oceanos do mundo. De acordo com um estudo inédito publicado esta semana na revista “Science”, nos últimos 50 anos volume de água em mar aberto sem oxigenação quadruplicou; e em zonas costeiras, incluindo estuários, locais com baixa oxigenação aumentaram em mais de dez vezes desde a década de 1950. E a tendência é que o problema se agrave ainda mais com o aumento das temperaturas no planeta.
— O oxigênio é fundamental para a vida nos oceanos — afirmou Denis Breitburg, do Centro de Pesquisas Ambientais Smithsonian e líder do estudo. — O declínio na oxigenação do oceano está entre os mais sérios efeitos das atividades humanas no meio ambiente.
O estudo foi realizado pelo grupo GO2NE (Global Ocean Oxygen Network), criado em 2016 pela Comissão Intergovernamental Oceanográfica das Nações Unidas. Trata-se da primeira pesquisa realizada em nível global não apenas para a medição da oxigenação da água, como para a identificação de causas, consequências e soluções, tanto em alto mar como em zonas costeiras.
— Aproximadamente metade do oxigênio na Terra vem dos oceanos — alertou Vladimir Ryabinin, secretário-executivo da comissão da ONU. — Entretanto, efeitos combinados do despejo de nutrientes e das mudanças climáticas estão aumentando enormemente o número e o tamanho de “zonas mortas”, onde o nível de oxigênio é muito baixo para suportar a vida marinha.
Nas chamadas zonas mortas, a oxigenação das águas cai a nível tão baixo que, literalmente, peixes e outros animais sufocam e morrem. Mas o problema vai além das regiões onde a oxigenação chega a zero, mesmo pequenos declínios nos níveis de oxigênio interferem no crescimento dos animais, na reprodução e provocam doenças e morte. E o fenômeno também pode desencadear a liberação de substâncias químicas perigosas, como o óxido nitroso, gás-estufa 300 vezes mais potente que o dióxido de carbono.
No mar aberto, as mudanças climáticas são as principais culpadas pela queda nos níveis de oxigênio nas águas. Temperaturas mais altas na superfície dificultam a penetração do oxigênio em zonas mais profundas. Além disso, o aquecimento das águas faz com que elas prendam menos oxigênio. Nas zonas costeiras, o despejo de poluentes favorece a multiplicação de águas, que drenam o oxigênio quando morrem e se decompõem.
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