
09/01/2018
"Perbacco"! A frase latina usada para exprimir surpresa e deslumbramento é, com certeza, e intimamente, o que o arquiteto italiano Gianpiero Tessitore pensou ao concretizar um de seus mais importantes sonhos profissionais. Projetos inovadores impulsionaram o italiano a buscar uma alternativa sustentável no âmbito do design. "As pessoas, na última década, passaram a prestar ainda mais atenção ao futuro do planeta. O tema do impacto ambiental virou quase que obrigatório no nosso dia a dia", explica ele, que, em 2014, desenvolveu com o futuro sócio, o químico industrial Francesco Merlino, um novo revestimento: um produto parecido com o couro animal realizado com os resíduos da produção do vinho. Batizado em um primeiro momento de Wine Leather (couro de vinho), a ideia do arquiteto empreendedor conquistou - para sua surpresa - o setor da moda, o automobilístico e o do design. "E pensar que, inicialmente, a minha intenção era encontrar uma alternativa aos tradicionais revestimentos de origem animal e sintética para peças e mobiliário de decoração. Essa é a origem do Vegea, uma minha escolha ética profissional", diz o arquiteto que, em 2016, substitui o nome da empresa e do produto para Vegea. "Quis usar a palavra vegetal, e gea que significa terra em grego".
A combinação foi mais que certeira. Em menos de 3 anos de existência, a marca ficou conhecida em quase todo o mundo. Já o processo de industrialização e venda para o exterior deve acontecer no ano que vem.
A tenacidade da Gianpiero Tessitore é admirável. Ao lado do sócio Francesco Merlino, eles se dispuseram a encontrar um produto que pudesse não só ser sustentável mas que fosse durável e com preços acessíveis. "Ao contrário do couro sintético, queríamos criar algo que usasse uma matéria-prima 100% vegetal e não só isso. A intenção era que o processo fosse feito sem o uso de petróleo e substâncias químicas tóxicas. Ou seja, baixo impacto ambiental", esclarece o empresário que optou pela utilização do bagaço da uva. "Esse resíduo, descartado no processo de produção dos vinhos, é deixado de lado pelas vinícolas. Dessa forma, diminuímos ainda mais o impacto no ambiente".
O processo produtivo é realizado a partir de um tratamento especial das fibras e óleos contidos no bagaço. O chamado biomaterial nada mais é que a pele, a semente e o caule da fruta que são obtidos durante a produção de vinho. "Um fator importante quando se fala em sustentabilidade é o de reduzir o uso não só de elementos químicos mas também o da água. Nosso produto de origem vegetal não se faz utilizo da mesma", observa o Gianpiero Tessitore que se abastece da matéria-prima por meio de vinícolas nas regiões do Piemonte e do Trentino Alto Adige, no norte da Itália. " Hoje a Itália detém 18% da produção mundial de vinho. É o maior produtor. A relação entre a produção de vinho e do Vegea é muito simples, a cada 10 litros de vinho se obtém 2,5 kg de bagaço, e que nos fornece 1 metro quadrado de couro vegetal".
A matéria pode ser lida no Caderno Ela
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