
19/12/2017
O Brasil termina 2017 com um número recorde de queimadas desde 1999, quando teve início a série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A análise dos locais onde os incêndios ocorreram mostra que, neste ano, o fogo aumentou em áreas de floresta natural, avançando em pontos onde antes não havia registro de chamas, e atingindo unidades de conservação e terras indígenas. Entre todos os biomas, o Cerrado foi o que teve mais unidades de conservação atingidas, contabilizando 75% de toda a destruição nas áreas protegidas.
Até agora, foram registrados cerca de 272 mil focos de fogo, 46% a mais do que em 2016 e acima do recorde anterior, de 2004, quando foram detectados 270 mil pontos de calor. Incêndios criminosos destruíram 986 mil hectares de unidades de conservação, o que corresponde a quase oito vezes a área da cidade do Rio. O número ficou próximo do registrado no ano passado, quando foram destruídos cerca de 1 milhão de hectares. Nas terras indígenas, os focos aumentaram 70% e ultrapassaram 7 mil.
— O fogo aumentou em áreas de floresta natural, onde não chegava antes — afirma Alberto Setzer, responsável pelo monitoramento de queimadas do Inpe.
Setzer diz que houve mais descontrole do fogo em 2017. Segundo ele, o Inpe ainda não terminou o cálculo da área afetada pelos incêndios. Enquanto os pontos de queimada são identificados por radar, a área destruída é somada por meio de estudos aprofundados. Em janeiro o Inpe deverá ter dados precisos sobre o Cerrado, por exemplo.
Apesar da grande quantidade de incêndios, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) teve o mesmo número de brigadistas de 2016 (1.170). Já o Ibama teve mil profissionais, o menor número desde a criação do sistema de prevenção e combate a incêndios florestais.
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