
19/12/2017
Praia de Ipanema, a um quarteirão do Hotel Fasano, por volta das 7h20m de quinta-feira. Uma moradora de rua está deitada dentro da cabana improvisada na areia com restos de persianas. Do lado de fora, há uma cadeira velha sem encosto e uma vassoura com cabo quebrado. Impaciente, um barraqueiro observa a “instalação”, erguida onde ele pretendia montar sua tenda. Tenta convencer a sem-teto a sair dali, mas ela se faz de rogada, responde que a praia é pública e senta-se para folhear um livro. Os dois começam a discutir. Irritado, o camelô, num rompante, derruba a cabana. A moradora de rua apenas se levanta e se dirige a um banco no calçadão, onde volta a ler, de pernas cruzadas.
A cena é de um Rio que, às vésperas de mais um verão, aproxima-se da estação que é a sua cara com problemas que parecem insolúveis, inclusive em sua orla de fama mundial. À beira-mar, a desordem urbana, a falta de conservação de equipamentos públicos, o descuido com o meio ambiente e o subemprego continuam sendo parte da paisagem. A população de rua fez morada não só nas areias de Ipanema, mas também nas de Copacabana, do Leme e do Arpoador, numa cidade com uma rede de assistência que não dá conta do tamanho e da complexidade do flagelo social. Na semana passada, só não foram vistas pessoas ao relento na Praia do Leblon, o que não quer dizer que o problema, que é sazonal, não exista por lá.
Na altura da Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, logo que nasce o sol, a maioria dos sem-teto desfaz suas malocas. Quinta-feira, às 6h40m, três deles levantavam de um cercadinho feito de papelão, perto do calçadão. Em direção ao Posto 9, um senhor preparava o café da manhã num pequeno fogareiro e, depois, cobria o lugar onde dormiu com areia. Mais perto do mar, um homem estava deitado, enrolado num cobertor. E, em direção ao Posto 8, um grupo — incluindo dois cachorros — saía de uma cabana feita com lona e guarda-sóis, erguida entre os postes de uma trave de futebol. Um dos “moradores” acorda e vai direto trabalhar numa das barracas da praia. Dentro do Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, há até um sofá no abrigo em que se transformou a gruta com a imagem de Santa Sara, protetora dos ciganos.
Leia a matéria completa em O Globo
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