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Consumo global de carvão cai pelo segundo ano consecutivo

19/12/2017

Todos os grandes países do mundo, com exceção da Índia, reduziram o consumo de carvão no ano passado, refletindo mudanças nas políticas ambientais. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), 5,3 bilhões de toneladas de carvão foram queimadas em 2016, queda de 1,6% em relação ao ano anterior, consolidando queda de 4,2% nos dois últimos anos, em relação a 2014. Trata-se da mais rápida retração no setor desde a crise de 1990-1992.
Para os próximos cinco anos, a expectativa é que a demanda fique estagnada, confirmando que os dois últimos anos de quedas recordes não foram eventuais, mas fazem parte de um processo lento, mas gradual, de substituição de combustíveis. China, EUA e Europa lideraram a redução na demanda ano passado. Mas a Índia, terceiro maior emissor de gases estufa do planeta, deve continuar aumentando a queima de carvão até 2022.
— Apesar de a IEA ser muito otimista sobre o desenvolvimento das energias renováveis, em alguns países o carvão ainda vai fornecer parcela significativa da necessidade de eletricidade — disse Keisuke Sadamori, diretor da agência para mercados de energia e segurança, ao “Guardian”. — Mas no todo, o que vemos é a estagnação da demanda de carvão ao longo da década.
A Índia tem sido um dos países onde a energia solar tem mais avançado no mundo, mas o forte crescimento de 7,8% na economia, somado ao plano do primeiro-ministro, Narendra Modi, de levar energia aos 240 milhões de indianos que ainda vivem sem eletricidade, pressionam a demanda. Barato, o carvão surge como uma das opções para manter a produção elétrica. A estimativa é que a geração de energia por carvão cresça a taxa de 4% ao ano até 2022.
A participação do carvão no mercado global de energia deve cair para 26% em 2022, apenas um ponto percentual abaixo da taxa de participação em 2016, de 27%.
— O sistema energético está evoluindo em ritmo rápido, com uma oferta de combustíveis mais diversificada, e o custo das tecnologias caindo — comentou Sadamori. — Mas enquanto todo o resto está mudando, a demanda por carvão continua a mesma.
A China vem liderando a redução no uso do carvão como combustível, mas ainda assim o material responderá por 55% da produção energética do país em 2022. O governo segue com o projeto “Tornar os céus azuis novamente”, e a expectativa é que 100 milhões de toneladas de carvão sejam substituídas pelo gás natural na indústria e nas residências.
Nos EUA, a posse de Donald Trump deu novo incentivo ao setor de mineração do carvão. Sinal disso foi a abertura, em maio, da primeira mina desde 2011. Entretanto, a produção abundante de gás natural e o avanço das fontes renováveis vão fazer com que a produção anual do país seja de 510 milhões de toneladas em 2022, o equivalente aos níveis atuais, enquanto a demanda deve cair para 470 milhões de toneladas, queda de 1% ao ano ao longo do período.

Fonte: O Globo

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