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Populações de javalis se adaptam à vida urbana em Berlim

19/12/2017

Eles provocam acidentes nas estradas, arrasam com jardins e vagueiam pelas ruas de alguns bairros após o cair da noite. Nunca antes os javalis se sentiram tão confortáveis em Berlim, onde chegaram para ficar.
— Muitas pessoas me dizem: “onde quer que eu vá, vejo javalis” — diz Derk Ehlert, porta-voz da prefeitura de Berlim e especialista em vida selvagem.
Os números não mostram aumentos expressivos nos últimos anos. A estimativa é que existam cerca de 3 mil javalis vagando pela cidade, com picos de até 8 mil, mas os dados não são precisos. Entretanto, o comportamento dos animais “evoluiu enormemente”.
— Eles não são tão medrosos. Às vezes ele são vistos ate durante o dia — notou Ehlert, apesar de os animais preferirem passeios noturnos. — Eles se aproximam dos humanos, são vistos nos parques.
A cidade, que já foi apelidada pela imprensa como a “capital do javali”, sempre serviu de refúgio para vários tipos de animais selvagens, das raposas, das quais existem cerca de 1.400, às doninhas, que roem cabos de automóveis, e guaxinins, que saqueiam latas de lixo.
As florestas cobrem cerca de 20% do território de Berlim, e os numerosos eixos verdes instalados no século XIX para arejar a cidade em plena revolução industrial facilitam a chegada de animais selvagens, que se alimentam nos numerosos pomares familiares.
A monocultura do milho na periferia e a baixa incidência da caça, que só começou em 1992, após a reunificação, encorajaram a proliferação dos javalis, além do fato de não existirem predadores naturais. E os invernos menos rigorosos dos últimos anos também ofereceram condições propícias para a sua multiplicação.
Dessa forma, os eventos relacionados com esses animais são cada vez mais frequentes, de acidentes rodoviários a ataques a cães. Um atropelamento por trem de um rebanho que descansava na linha férrea também foi registrado. E isso tem incomodado os moradores.
— Recebemos chamadas todos os dias — contou Katrin Koch, da associação ambiental NABU. — É, simplesmente, uma sensação desagradável, esse medo latente quando há um javali nos arredores. As pessoas montam um filme e pensam imediatamente que o javali representa perigo.

Saiba mais em O Globo

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