
05/12/2017
Criado há seis anos, após as tempestades que mataram mais de 500 pessoas na Região Serrana do Rio, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) está afundado em problemas financeiros e corre risco de interromper suas atividades. A previsão orçamentária para 2018 do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) destina apenas R$ 19,8 milhões para o órgão — cinco vezes menos do que em seu auge.
Diretor do Cemaden, Osvaldo Luiz Leal alerta que, se tiver apenas a verba reservada, perderá em agosto a capacidade de fazer a manutenção da sofisticada rede de radares e sensores hidrológicos, geológicos e meteorológicos do órgão. Sem esta infraestrutura, haverá uma redução significativa na capacidade de pesquisa e emissão de alertas sobre desastres naturais para 958 municípios.
— Precisamos garantir constantes reparos aos equipamentos. Do contrário, o Cemaden ficará cego — ressalta Leal. — Nossos boletins servem de base para que as defesas civis decidam como avisar ou retirar a população vulnerável às catástrofes naturais. Até hoje, já emitimos mais de 6 mil alertas. Estamos fazendo um esforço enorme para conseguir contratos adequados, tentanto uma comunhão entre aquilo que é disponível do que é possível fazer, mas eu diria que o recurso já está no limite mínimo do que nós necessitamos.
Leal ressalta que, antes do Cemaden, o governo federal não contava com um sistema que fornecesse de antemão as informações necessárias para que órgãos públicos se preparassem contra eventos como enxurradas, inundações e deslizamento de encostas.
Desde sua fundação, o centro de pesquisas testemunhou dois movimentos opostos — o número de atribuições foi multiplicado, enquanto as verbas minguaram. Em seu primeiro ano, o Cemaden monitorava a ocorrência de desastres naturais em 56 municípios. Hoje, são 958. Já o orçamento, que chegou a R$ 99,2 milhões, está desabando desde 2014.
— Nós nos deparamos com limitações desde o início de nossas atividades — lembra Leal. — Quando o Cemaden foi fundado, solicitamos 180 servidores para atender pouco mais de 50 cidades. Nunca chegamos a este contingente: temos 105 em nossos quadros. Além disso, três anos atrás, o governo federal retirou R$ 40 milhões previstos em nosso orçamento para a construção de nossa sede. E nós não tivemos este dinheiro de volta. Ainda funcionamos em instalações provisórias.
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