
30/11/2017
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ações civis públicas por desmatamento ilegal na Amazônia contra um deputado estadual do Pará, um promotor de justiça no Acre e outro promotor em Rondônia, além de um ex-prefeito e um ex-secretário de Obras de uma cidade do Amazonas. Eles passaram a ser réus em ações protocoladas pelo MPF nos últimos 15 dias. Ao todo, no período, 757 ações foram enviadas à Justiça, com individualização de 725 supostos responsáveis por desmatamentos fora da lei. O GLOBO obteve a relação dos réus nos processos.
Reportagem publicada pelo jornal no domingo revelou que os dez maiores desmatadores acionados na Justiça são acusados de devastar áreas equivalentes a quatro vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, no Rio. Somente os dois maiores, a Manasa Madeireira Nacional S.A. e José Carlos Nunes Meloni, desmataram 7,8 mil hectares de Floresta Amazônica, conforme as ações do MPF. Isto equivale a dois Parques da Tijuca. Os desmatamentos aparecem em imagens de satélite referentes a um único ano.
Além dessas grandes áreas desmatadas, a relação de réus inclui nacos menores de floresta, cujo desmatamento é atribuído a políticos e a integrantes do Ministério Público. O MPF acusou o deputado estadual Fernando Coimbra (PSL), do Pará, de desmatar 69,5 hectares de floresta – o equivalente a 69,5 campos de futebol – no sul do estado. A ação foi protocolada na Justiça Federal em Redenção (PA) e pede o pagamento de uma indenização de R$ 1,12 milhão.
Ao GLOBO, o deputado disse que, após se separar da mulher, uma fazenda do casal na região de Xinguara (PA) foi vendida em 2014. Nem toda a transferência da propriedade foi efetivada, segundo o parlamentar, o que é feito à medida em que as parcelas são pagas. Isso explicaria um desmatamento ilegal estar associado a seu nome, conforme o deputado.
– Até a quitação completa, não há transferência da propriedade. Além disso, o novo dono não abriu desmatamento novo. Era uma área de pasto, de pastagem suja. O que aparece nas imagens de satélite é recomposição de pasto, de desmatamentos autorizados anteriormente – afirmou Coimbra.
Leia a matéria em O Globo
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