
07/11/2017
Uma auditoria anual realizada pelas Nações Unidas para avaliar o progresso das políticas de redução de gases-estufa projeta que os compromissos firmados pelos países reduzirão as emissões em apenas um terço do necessário para o cumprimento da meta para 2030. De acordo com o “Emissions Gap Report“, divulgado nesta terça-feira, em 2030 a poluição gerada será entre 53 gigatoneladas e 55,5 gigatoneladas de equivalente de dióxido de carbono, bem acima do objetivo de 42 gigatoneladas para manter o aquecimento do planeta abaixo dos 2 graus Celsius em relação ao período pré-industrial.
Caso a projeção se concretize, os cálculos indicam o aumento da temperatura média do planeta entre 3 e 3,2 graus Celsius para o fim do século, o que provocaria consequências imprevisíveis. Apesar do prognóstico negativo, Erik Solheim, diretor da ONU Meio Ambiente, destacou sinais de progresso, com sinais de estagnação nos últimos três anos das emissões de combustíveis fósseis, da produção de cimento e outros processos industriais, em grande parte pela desaceleração do aumento no uso de carvão na China e nos EUA.
— Todos nós sabemos das más notícias. No meu ponto de vista, entretanto, estamos num ponto de virada onde as boas notícias estão superando as más notícias — comentou Solhein, durante o lançamento do relatório, em Genebra, informa a agência Reuters. — Nós estamos num momento decisivo onde paramos o aumento das emissões de CO2 e existem muitos motivos para acreditar que podemos derrubá-las, e vemos ótimas notícias vindo de todo o mundo todos os dias.
O diretor da ONU aproveitou o momento para minimizar o papel do governo americano, que após a posse de Donald Trump anunciou que abandonaria o Acordo de Paris, tratado que reúne todos os países do mundo com exceção dos EUA e da Síria para a redução das emissões de gases-estufa. Segundo Solhein, a pergunta que mais recebe é: “E sobre Donald Trump?”.
— Em todas as probabilidades os EUA irão cumprir os seus compromissos, não por causa da Casa Branca, mas por causa do setor privado — ressaltou Solhein. — O trem está no caminho certo, mas nossa missão é acelerá-lo.
O relatório aponta que o investimento em tecnologia pode ser um grande aliado no combate às mudanças climáticas. Investimentos de menos de US$ 100 por tonelada de CO2 nos setores de agricultura, construção, energia, silvicultura, indústria e transportes podem reduzir as emissões em até 36 gigatoneladas de equivalente de dióxido de carbono, o suficiente para controlar o aquecimento do planeta abaixo dos 2 graus Celsius e destravar a possibilidade de limitá-lo a 1,5 grau Celsius.
E ações adicionais são urgentes. Segundo o relatório, mesmo que todas os compromissos assumidos pelos países sejam cumpridos, em 2030 o mundo já terá emitido cerca de 80% do limite máximo de gases-estufa na atmosfera para manter o aquecimento abaixo de 2 graus Celsius.
Para evitar que as mudanças no clima se tornem imprevisíveis, mais esforços são necessários, destacou a ONU. No mês que vem, representantes dos países signatários do Acordo de Paris irão discutir as diretrizes para a implementação do tratado na conferência anual do clima, em Bonn, na Alemanha. Segundo a diretora executiva da Greenpeace, Jennifer Morgan, furacões, inundações e secas se tornarão cada vez mais destruidores se os ministros não se comprometerem com o combate aos combustíveis fósseis.
— Paris foi apenas o ponto de início — disse Morgan. — Ações mais rápidas e contundentes são necessárias. Líderes devem surgir em Bonn e usar a plataforma para tomar medidas mais fortes e responsabilizar os outros se falharem no cumprimento de suas obrigações. Nós ainda podemos alcançar aquecimento de 1,5 grau Celsius se trabalharmos juntos.
Fonte: O Globo
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