
31/10/2017
Porto Alegre e Florianópolis registraram casos de leishmaniose visceral humana pela primeira vez na história. Por trás do avanço da doença, cuja prevenção pode envolver a eutanásia de cães, estão questões de vulnerabilidade social, migração, mudanças climáticas e até de ocupação irregular de áreas de mata.
Caracterizada por sintomas pouco específicos, como febre de longa duração e perda de peso, a leishmaniose visceral nem era considerada nos protocolos de saúde do sul do Brasil, tanto que os primeiros casos em Porto Alegre começaram a ser tratados como suspeitos de leucemia.
A doença é causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos por mosquitos. Em estágio mais avançado, a doença causa inchaço do fígado e do baço, comprometendo o correto funcionamento do sistema hematológico, e pode atingir também a medula óssea.
Se não tratada, a leishmaniose pode levar à morte em 90% dos casos, segundo o Ministério da Saúde.
A primeira morte na capital gaúcha foi registrada em setembro de 2016. Nos meses seguintes, foram detectados quatro novos casos em Porto Alegre. Três pessoas morreram. Em agosto passado, Florianópolis registrou a primeira contaminação humana. Atualmente, dois pacientes são monitorados na capital catarinense.
O que chama atenção é que não foi identificado na região o vetor tradicional de transmissão presente nas demais áreas urbanas do país, o mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis). Por isso, os cientistas acreditam que o inseto responsável pela transmissão da doença no sul é de hábitos silvestres, presente em regiões de mata.
Uma pesquisa do Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tenta identificar exatamente quais espécies de mosquitos estão envolvidas na transmissão da doença em Florianópolis.
A matéria pode ser lida no G1
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