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Mudanças climáticas contribuíram para onda de calor deste verão, diz estudo

28/09/2017

As temperaturas escaldantes deste verão na região do Mediterrâneo, na Europa, provavelmente foram provocadas pelas mudanças climáticas, afirmam cientistas. O caso no clima aumentou em dez vezes a probabilidade de verões extremamente quentes, e caso nada seja feito, temperaturas acima de 40 graus Celsius se tornarão normais por volta de 2050.
A análise da ONG World Weather Attribution (WWA) avaliou a onda de calor que atingiu o sudeste da França, Itália e Croácia no inicio de agosto deste ano e concluiu que o episódio pode ter tido sua intensidade aumentada em até quatro vezes por conta das mudanças climáticas.
Apelidada de "Lucifer", a onda de calor atingiu altas temperaturas durante o dia e a noite e trouxe um aumento de cerca de 15% nas admissões em emergências de hospitais na Itália. Outra onda de calor na Europa, em 2003, está ligada a morte de aproximadamente 75 mil pessoas.
"Os verões continuam ficando mais quentes", diz a pesquisadora Friederike Otto, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que também participou do estudo. "Ondas de calor estão mais intensas hoje do que eram quando meus pais estavam crescendo, nos anos 1950. Se não fizermos nada para reduzir nossas emissões de gás de efeito estufa, o tipo de calor extremos que vimos no último verão será a norma quando meu filho mais novo for um homem adulto".
Algumas das mais altas temperaturas foram registradas na Itália, com 43 graus Celsius em Roma e 44 graus Celsius na Sardenha. Algumas regiões marcaram temperaturas com 10 graus Celsius a cima do normal para a época.
Apesar de episódios extremos como este serem considerados naturais, os cientistas alertam que as temperaturas estão subindo mais rápido do que o esperado. Comparando tais casos com medições históricas e modelos computacionais, pesquisadores apontam como o aquecimento global já está levando a um caminho perigoso.
Em junho, a WWA mostrou que a severa onda de calor disparou incêndios em florestas em Portugal e na Espanha que se tornaram dez vezes mais prováveis por conta do aquecimento global. Em Portugal, 64 pessoas morreram. Trabalhos anteriores demonstraram que as inundações na Inglaterra e na França se tornaram mais significativos também por conta das mudanças climáticas.
Identificar a relação entre terremotos e mudanças climáticas é mais difícil, mas os pesquisadores da WWA estão agora analisando o Harvey. Eles estão seguros de que tais mudanças podem ter aumentado o poder de destruição das tempestades que atingiram o Caribe e os EUA este ano.

Fonte: O Globo

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