
19/09/2017
"Sou formado em Biologia pela Universidade de Yale. Em 1965, fui à Amazônia pela primeira vez. Sou um dos fundadores de projeto que investiga os efeitos do desmatamento na fauna e na flora. Sou especialista em assuntos ligados à natureza brasileira, professor e membro sênior da Fundação das Nações Unidas (UNF)."
Milhares de pessoas no mundo vivem bem graças a uma substância encontrada no veneno da jararaca, capaz de derrubar a pressão do sangue até zero permanentemente, podendo levar inclusive à morte. Cientistas do Instituto Butantan, em São Paulo, estudaram como isso funciona e descobriram que esse mesmo veneno pode ser utilizado em um novo medicamento para o tratamento da hipertensão. O remédio atua no sistema nervoso central, reduzindo a pressão arterial e a frequência cardíaca ao mesmo tempo. Isso significa, acima de tudo, que a Amazônia tem uma biodiversidade fantástica e é a maior biblioteca do mundo. Cada espécie é como um livro de soluções para algumas doenças.
Qual é a chave para conservar a Floresta Amazônica?
Manter mais de 80% da cobertura florestal, proteger o seu ciclo hidrológico para que continue sendo uma floresta com índices de pluviosidade suficientes para atender as regiões agrícolas de Mato Grosso, São Paulo e Argentina, e fomentar oportunidades sustentáveis para a população local. É possível que isso inclua criar cidades sustentáveis na Amazônia — como Manaus, por exemplo. Então,acredito que o futuro das cidades seja a chave para a Amazônia inteira. Pensar nessa região como um todo requer considerar as cidades também.
O senhor é considerado o padrinho da biodiversidade?
Fui o primeiro a usar o termo “diversidade biológica”, ainda nos anos 1980. A comunidade científica discutia sobre a variedade de seres vivos na natureza, mas não tínhamos esse termo definido. Na época, ninguém prestou atenção em quem foi o primeiro, só depois as pessoas perceberam de fato.
Muitas pessoas relacionam a sustentabilidade apenas com a natureza, sem considerar um meio ambiente integrado. Como o senhor avalia essa questão?
A sustentabilidade tem vários elementos, não é apenas uma unidade. Existem os elementos sociais, ambientais e também os econômicos. Para algo ser sustentável, é preciso juntar todos esses componentes. Se você proteger só o meio ambiente, sem pensar no lado social, as pessoas e a economia vão ser prejudicadas. Se proteger apenas o elemento econômico, saem prejudicados as pessoas e o meio ambiente. É importante administrar o meio ambiente, as atividades humanas e a economia como um sistema, por meio de planos integrados.
A entrevista completa pode ser lida em O Globo
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