
31/08/2017
A tempestade tropical Harvey perdeu o status de furacão pouco antes de tocar o solo americano, mas o volume de água que caiu sobre o Texas surpreendeu os cientistas. Em algumas regiões, o índice pluviométrico se aproximou de 1,2 metro, forçando o Serviço Climático Americano a introduzir uma nova cor em seus gráficos. Para especialistas da Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), ligado às Nações Unidas, tempestades tropicais são fenômenos naturais, sempre existiram, mas o volume de chuvas provavelmente está relacionado com as mudanças climáticas do planeta.
— As mudanças climáticas significam que quando temos um evento como o Harvey, a quantidade de chuvas é provavelmente maior do que teríamos de outra forma — disse Clare Nullis, porta-voz da WMO, em conferência nas Nações Unidas, em Genebra. — As mudanças climáticas não causam ciclones tropicais. Eles sempre estiveram lá. A relação entre as mudanças no clima e a frequência de furacões e ciclones tropicais não está clara, ainda é preciso muitas pesquisas sobre o assunto.
De acordo com os cientistas, temperaturas mais quentes da água e do ar provocam maior umidade na atmosfera, aumentando a intensidade das chuvas. Em geral, cada grau Celsius adicional de temperatura representa 7% a mais no volume de chuvas.
— As mudanças climáticas muito provavelmente aumentam as chuvas associadas (aos ciclones tropicais) — disse Nullis.
A questão climática se transformou num tema polêmico nos EUA, após o presidente, Donald Trump, anunciar a retirada do país do Acordo Climático de Paris, um esforço global para limitar o aquecimento das temperaturas do planeta em até 2 graus Celsius em relação ao período pré-industrial. Nesta terça-feira, Trump irá visitar alguns locais atingidos pela tormenta.
— Minha administração está coordenando de perto com autoridades locais e dos Estados no Texas e em Louisiana para salvar vidas, e agradecemos aos primeiros socorros e a todos aqueles envolvidos em seus esforços — disse Trump a jornalistas, na segunda-feira.
Segundo William Long, administrador da Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA, trata-se da pior tempestade a atingir o estado do Texas.
— Este será um desastre devastador, provavelmente o pior que o estado do Texas já viu — comentou Long, em entrevista concedida domingo ao “Washington Post”. — A recuperação para este evento irá durar muitos anos.
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