
01/08/2017
Pelo compromisso assumido com a assinatura do Acordo Climático de Paris, 195 países do mundo prometeram unir esforços para limitar o aquecimento médio do planeta em 2 graus Celsius no fim deste século, em relação ao período pré-industrial, sendo 1,5 grau Celsius a meta ideal. Porém, dois novos estudos divulgados nesta segunda-feira indicam que pode ser tarde demais. Realizados por diferentes institutos de pesquisa, com diferentes metodologias, ambos concluem que são mínimas as chances de o mundo conseguir ficar dentro da meta estabelecida.
A comunidade científica considera os 2 graus Celsius de aquecimento um limite seguro, pois, apesar das graves mudanças impostas ao planeta, elas são previsíveis pelos modelos climáticos e, dessa forma, mais fáceis de serem remediadas. O aquecimento acima desse teto jogará o clima num campo desconhecido, com alterações imprevisíveis. De acordo com um dos estudos publicados na revista “Nature Climate Change”, as chances de o aquecimento médio do planeta ficar abaixo dos 2 graus Celsius no fim do século é de apenas 5%.
— Nossa análise mostra que o objetivo de 2 graus é o melhor dos cenários — alertou Adrian Raftery, professor da Universidade de Washington e líder da pesquisa. — É alcançável, mas apenas com esforços sustentáveis imensos em todas as frentes nos próximos 80 anos.
Segundo os pesquisadores, o mais provável é que o aquecimento fique entre 2 e 4,9 graus Celsius, com 90% de chances. Os resultados são similares aos relatórios divulgados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que descrevem quatro cenários possíveis de acordo com as emissões futuras de gases-estufa. A diferença, pontua Raftery, é que o IPCC faz projeções, enquanto o estudo atual faz previsões.
— O IPCC deixa claro que esses cenários não são previsões. O grande problema dos cenários é que você não sabe a probabilidade deles, e se eles abrangem todas as possibilidades ou apenas alguns exemplos. Cientificamente, esse tipo de abordagem narrativa não era completamente satisfatória — apontou Raftery. — Nossa análise é compatível com estimativas anteriores, mas ela mostra que as projeções mais otimistas são improváveis de acontecer. Nós estamos mais perto da margem do que imaginamos.
O novo estudo se concentra em três variáveis que sustentam os cenários sobre emissões futuras: população mundial, produto interno bruto por pessoa e a quantidade de gases-estufa emitidos por cada dólar de atividade econômica, dado conhecido como intensidade de carbono. Com projeções estatísticas de cada uma dessas três variáveis, seguindo dados dos últimos 50 anos, os pesquisadores afirmam que o aquecimento médio em 2100 deve ser de 3,2 graus Celsius, com 90% de chances de o aquecimento ficar entre 2 e 4,9 graus Celsius.
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